Durante séculos esquecida, a pintora barroca Michaelina Wautier (1604–1689) começa a ocupar o lugar de destaque que lhe foi negado pela história da arte. O Museu Kunsthistorisches, em Viena, inaugura em 30 de setembro a mostra Michaelina Wautier, Pintora, que reúne pela primeira vez todas as obras conhecidas da artista. Entre elas está O Triunfo de Baco, monumental tela de 2,7 por 3,5 metros que permaneceu nos arquivos do museu até os anos 1990, quando a historiadora belga Katlijne Van der Stighelen a identificou como uma obra feminina fora do comum para o século XVII.

O Triunfo de Baco, uma pintura que consagra Wautier como a primeira artista feminina conhecida a desenhar o corpo nu masculino em escala real. Fotografia: KHM-Museumsverband
A exposição apresenta desde retratos e naturezas-mortas até alegorias como a série Os Cinco Sentidos (1650), recentemente reatribuída à artista, além de estudos inéditos. “Para artistas barrocas femininas, trabalhar nessa escala e com tamanha variedade de temas era algo inédito. Wautier é uma completa exceção à regra”, afirma Van der Stighelen, curadora da mostra.
Pouco se sabe sobre sua vida além de seu nascimento em Mons, na atual Bélgica, e da convivência artística com o irmão Charles. Ainda assim, cerca de 35 obras chegaram até nós, muitas delas adquiridas pelo arquiduque Leopoldo Guilherme da Áustria, o que indica a inserção de Wautier nos círculos aristocráticos de sua época. Agora, o Kunsthistorisches busca corrigir essa lacuna histórica e afirmar seu nome como uma das grandes mestras do barroco europeu.



