A britânica-nigeriana Nnena Kalu foi anunciada como vencedora do Turner Prize 2025, tornando-se a primeira artista com deficiência intelectual a receber o prestigiado prêmio, que concede £25.000 ao vencedor. A honraria confirma o reconhecimento à sua produção artística única, baseada em esculturas suspensas e desenhos abstratos vibrantes, feitos com materiais reaproveitados.
Kalu, 59 anos, natural de Glasgow e residente em Londres, vem desenvolvendo seu trabalho há décadas no estúdio da organização ActionSpace, que apoia artistas com deficiências. Sua prática mistura ritualidade e materialidade: fios, tecidos, fitas e elementos reciclados são enrolados e torcidos em formas orgânicas que evocam casulos ou ninhos — esculturas carregadas de ritmo, cor e presença física.
A obra que garantiu o prêmio inclui sua série de 2024 Hanging Sculpture 1 to 10 — grande instalação exibida na Manifesta 15, em Barcelona — e os desenhos de 2021 como Drawing 21, apresentada na Walker Art Gallery, em Liverpool. O júri, presidido pelo diretor da Tate Britain, louvou a “tradução viva do gesto expressivo em escultura e desenho abstratos”, destacando a escala, cor e composição das obras.
Mais do que uma distinção individual, a vitória de Nnena Kalu sinaliza uma ruptura simbólica no mundo da arte: um passo importante rumo à visibilidade e valorização de artistas neurodiversos, desafiando preconceitos sobre talento, expressão e inclusão. A mostra com os selecionados do Turner Prize 2025 permanece aberta até 22 de fevereiro de 2026 na Cartwright Hall Art Gallery, em Bradford — e convida o público a testemunhar esse novo capítulo da arte contemporânea.

