O artista chinês Gao Zhen, detido há mais de um ano sob acusação de “difamar heróis e mártires da China”, permanece encarcerado sem julgamento e com a saúde em rápido declínio, segundo informou a Human Rights Watch em comunicado divulgado no início de outubro. A organização pediu que o governo chinês retire as “acusações infundadas” contra Gao, relatando que o artista chegou a desmaiar recentemente e apresenta sinais de arteriosclerose, condição que pode anteceder um acidente vascular cerebral. Gao divide uma cela de apenas 40 metros quadrados com 14 outros detentos, e teve negado o pedido de liberdade médica.
Conhecido por suas esculturas, pinturas e performances críticas ao regime, Gao Zhen formava dupla com o irmão, Gao Qiang, explorando temas ligados à Revolução Cultural, à figura de Mao Tsé-tung e ao massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989. Segundo o site Artnews, as autoridades chinesas baseiam a prisão em uma lei de 2021 que criminaliza insultos a “mártires e heróis nacionais”, com penas de até três anos. Entretanto, as 118 obras apreendidas em seu ateliê foram criadas entre 2005 e 2009 — muito antes da vigência dessa legislação. “A perseguição a Gao Zhen representa um retrocesso preocupante e uma tentativa de silenciar o debate sobre o passado doloroso da China”, afirmou Elaine Pearson, diretora da Human Rights Watch para a Ásia.
Ainda sem data de julgamento, Gao escreveu recentemente uma carta ao também dissidente Ai Weiwei, comparando sua situação à detenção que o artista sofreu em 2011. No texto, descreve o confinamento como “um eco distante” da experiência de Ai, mas lamenta o silêncio internacional diante de seu caso. Residente permanente nos Estados Unidos e pai de um cidadão norte-americano, Gao Zhen é visto por organizações de direitos humanos como um símbolo da crescente repressão à liberdade artística na China sob Xi Jinping. Sua família, em contato com autoridades norte-americanas, mantém a esperança de que esforços diplomáticos permitam sua libertação e retorno aos Estados Unidos.


