Escavações recentes no palácio do Palace of Westminster — sede do Parlamento do Reino Unido — revelaram artefatos com cerca de 6.000 anos, além de objetos de diferentes épocas, trazendo à tona camadas ignoradas da história da capital britânica. Entre as descobertas estão mais de 60 lascas de sílex, possivelmente usadas como ferramentas por comunidades mesolíticas, além de restos medievais, romanos e até artefatos do século XIX.
Os fragmentos, encontrados em depósitos de areia preservados da antiga Thorney Island — área que ficava entre as margens do Tâmisa e do rio Tyburn — indicam que o território que hoje abriga o Parlamento já foi habitado por caçadores e coletores muito antes de monumentos famosos como Stonehenge existirem. A descoberta rompe com a noção de que aquele solo sempre foi terreno “moderno”.
Além dos artefatos pré-históricos, a escavação revelou restos de construção medieval — como pavimentos, pisos antigos e uma “sala perdida” do século XII, conhecida como Lesser Hall — derrubada e reintegrada várias vezes ao longo da história. Isso expande nosso entendimento sobre a continuidade de ocupação e transformação do local.
O trabalho arqueológico faz parte de um ambicioso programa de restauração do palácio, promovido pela autoridade de conservação do Parlamento. Os resultados até agora mostram que, sob o monumento à democracia moderna, jaz uma história muito mais antiga e complexa — reforçando a importância de “pisar com cautela” no solo onde moram governos e parlamentos.


