Autoridades egípcias anunciaram a recuperação de um conjunto notável de artefatos de uma cidade submersa na baía de Abu Qir, próximo a Alexandria. Entre as descobertas, destacam-se uma esfinge intacta e esculturas ptolomaicas, além de fragmentos de edifícios em calcário, estátuas reais em mármore e granito e os restos de um navio mercante. Datadas de mais de dois mil anos, as peças foram resgatadas em uma área que especialistas acreditam corresponder ao antigo porto de Canopo, centro florescente de comércio, religião e luxo durante a dinastia ptolemaica e o Império Romano. A cidade, assim como a vizinha Thonis-Heracleion, teria desaparecido sob o mar há cerca de 1.200 anos devido à elevação das águas e a frequentes terremotos.
Entre os objetos resgatados estão ruínas de construções que podem ter abrigado espaços religiosos, residências e atividades comerciais. Também foram içadas estátuas pré-romanas parcialmente preservadas, como uma escultura ptolomaica de granito sem cabeça e uma esfinge incompleta com um cartucho inscrito com o nome de Ramsés II, faraó cujo reinado foi o segundo mais longo da história do Egito. Rochas esculpidas utilizadas para criação de peixes e armazenamento de água também integram o acervo recuperado, oferecendo novas pistas sobre a vida cotidiana da antiga metrópole submersa.
As peças recém-descobertas serão apresentadas no Museu Nacional de Alexandria, em uma mostra dedicada à arqueologia subaquática e à herança grega, romana e helenística da região. A exposição Segredos da Cidade Submersa, inaugurada nesta semana, já exibe 86 artefatos, aos quais se somarão os novos achados. Para Sherif Fath, ministro do Turismo e das Antiguidades do Egito, a seleção segue critérios rigorosos: “Há muito ainda sob as águas, mas apenas parte pode ser trazida à superfície. O restante continuará a fazer parte do nosso patrimônio submerso”, afirmou em entrevista à AFP.


