A prisão de Diego Fernandes de Souza, conhecido como Minotauro, revelou não apenas a trajetória de um dos criminosos mais procurados de São Paulo, mas também a dimensão do patrimônio cultural envolvido em suas ações. Considerado pela Secretaria de Segurança Pública como o maior ladrão de mansões do estado, o líder da quadrilha foi localizado em Paraisópolis após operação policial. No endereço, agentes encontraram obras de arte avaliadas em cerca de R$ 6 milhões. Entre os trabalhos recuperados, destacam-se duas pinturas de Alfredo Volpi, mestre ítalo-brasileiro do modernismo, cuja produção é altamente valorizada no mercado.
As investigações apontam que Minotauro e seu grupo roubaram, desde 2021, dezenas de obras de arte e objetos de valor. As peças apreendidas, cuidadosamente embaladas e preservadas, evidenciam um esquema de receptação que teria financiado outros crimes. Embora parte do acervo tenha sido negociada no mercado paralelo — com lucros estimados em R$ 150 mil —, vinte quadros permaneceram guardados em condições adequadas, o que contribuiu para sua conservação. Além de Volpi, outras obras roubadas somam 32 no total, algumas ainda em circulação clandestina.
A captura de Minotauro ocorreu após a tentativa de invasão a um condomínio no Morumbi, quando dois moradores chegaram a ser feitos reféns, sem ferimentos. Segundo a Polícia Civil, o criminoso, que iniciou sua carreira como chaveiro em 2016, evoluiu para mentor e estrategista dos roubos, coordenando a logística das ações e mapeando residências de alto padrão. Agora, além das acusações de roubo e furto qualificado, sua atuação lança luz sobre a vulnerabilidade do patrimônio artístico em meio ao crime organizado, levantando debates sobre a circulação de arte no mercado ilegal.



