Documentos recém-liberados revelam como as conexões entre o financista condenado Jeffrey Epstein e figuras influentes da arte foram profundamente entrelaçadas com instituições, executivos e doadores de alto nível.
A divulgação de trechos dos Epstein Files — um enorme conjunto de documentos relacionados ao financista e condenado pedófilo Jeffrey Epstein — acendeu um novo debate sobre a relação entre poder, riqueza e arte. As mensagens e correspondências vistas até agora mostram quão profundamente a cultura representada por Epstein estava enraizada nas estruturas de poder do mundo artístico, revelando conexões com figuras da alta sociedade, doadores e executivos de instituições que historicamente dependem de financiamento privado para sobreviver.
Entre os nomes que surgiram nas discussões está David A. Ross, ex-diretor de museu e ex-presidente do programa de MFA na School of Visual Arts, que renunciou ao cargo após a divulgação de e-mails trocados com Epstein — mensagens que incluíam elogios e comunicação pessoal com o financista mesmo após suas punições criminais. Essas revelações colocam em evidência como figuras influentes do mercado artístico podem se aproximar de fontes de dinheiro em troca de apoio institucional ou favores.
Outro nome ligado à teia de relações é o bilionário Leon Black, que, apesar de acusações de agressão sexual que vieram à tona com documentos associados a Epstein, permanece em posições de destaque, como membro do conselho do Museum of Modern Art (MoMA). A associação continuada de Black com instituições de arte tem alimentado o ceticismo de artistas e críticos sobre a ética de financiadores com histórico questionável no apoio e na governança cultural.
A partir dessas revelações, críticos como o editor-sênior Hrag Vartanian argumentam que a crise ética no mercado de arte é mais profunda do que parece, envolvendo um sistema que historicamente favorece grandes doadores sem considerar suas condutas fora das instituições culturais. A discussão traz à tona uma pergunta essencial: para quem e por quem a arte está sendo feita, e até que ponto líderes do setor deveriam rejeitar financiamento de figuras com passados moralmente duvidosos em favor de apoio alinhado a valores cívicos positivos.
Figuras do mundo da arte e cultura citadas em documentos ou reportagens sobre o caso:
• Leon Black – bilionário colecionador de arte e ex-presidente do MoMA, com ligações financeiras e pessoais com Epstein.
• Ronald Lauder – magnata e colecionador que, segundo arquivos, participou de um veículo legal com Black para possuir uma obra de arte avaliada em US$ 25 mi.
• Steve Tisch – empresário e colecionador citado em documentos relacionados à rede de Epstein.
• Jean Pigozzi – colecionador de arte internacional com menção nas linhas de comunicação ligadas a Epstein.
• Jeff Koons – artista contemporâneo cujo nome aparece entre conexões mencionadas nos arquivos.
• Jack Lang – ex-ministro francês da Cultura e figura influente no circuito cultural, citado em milhares de e-mails com Epstein; enfrenta pressão e menções em notícias recentes.
• Caroline Lang – filha de Jack Lang e produtora de cinema, que deixou cargo após revelações de vínculos.
• Neal Benezra e Rudolf Frieling – ligados ao San Francisco Museum of Modern Art em registros que sugerem relações com doações ou apoio de Epstein à instituição.
• Maria Farmer – artista e denunciante crucial do caso Epstein nos anos 1990, que permanece uma voz importante na discussão sobre as relações do financista com o mundo da arte.


