Mais de um século após ter sido encontrado — e logo depois reenterrado — o único teatro antigo conhecido das Ilhas Jônicas enfim volta a respirar o ar mediterrâneo, sob o olhar atento dos arqueólogos e com uma vista invejável do mar. A peça central? Um anfiteatro do século IV a.C., esculpido na encosta da charmosa ilha de Lefkada, no oeste da Grécia, onde outrora floresceu uma próspera colônia coríntia.
Integrado com elegância à geografia do terreno, o monumento é, segundo seus descobridores, “o mais importante e imponente vestígio da antiga Lefkada”. Embora o tempo e as oliveiras tenham coberto sua estrutura superior, os estudiosos conseguiram revelar sua cavea — a área semicircular onde o público se acomodava — e partes da orquestra, da cena e até mesmo dos assentos destinados à elite da polis: três tronos de pedra decorados com patas de leão, golfinhos e aves, esculpidos para impressionar tanto quanto acomodar.
Segundo o site Artnet, o teatro, com capacidade estimada para 3.500 espectadores — e potencial para abrigar até 11 mil, caso tivesse sido concluído — ficou perdido por décadas após sua descoberta inicial por arqueólogos alemães em 1901. Reapareceu apenas em 1997, sob camadas de terra e raízes grossas, em meio a depósitos improvisados e oliveiras centenárias. Desde 2015, escavações meticulosas revelam fragmentos de sua arquitetura original: colunas de arenito, arquitraves jônicas e a orquestra perfeitamente redonda, com 16 metros de diâmetro, talhada na própria rocha.
Agora, arqueólogos se preparam para investigar a parte superior da cavea e segmentos remanescentes do palco, enquanto aguardam aprovação para restaurar o monumento. Entre as ruínas que um dia deram voz à tragédia e à comédia, Lefkada reencontra seu antigo palco — e quem sabe, um novo capítulo de sua história cultural.


