Apokalypse | Alex Flemming

Guggenheim

Quadros de marcantes e conhecidos monumentos espalhados pelo mundo ocidental e oriental em coloridas explosões e implosões são catástrofes ao mesmo tempo impressionantes e provocativas, contextualizadas na atualidade de atentados, incêndios e destruição.  Essas são as questões que a nova série “Apokalypse” do artista brasileiro Alex Flemming tematiza em 22 composições, expostas na igreja evangelista Kirche am Hohenzollenplatz, em Berlim, Alemanha, de 15 de junho a 11 de novembro de 2019.

As telas atestam sua preocupação e indignação com o que vem acontecendo e se repetindo no mundo: “Vivemos o final de uma era que está se esfumaçando a olhos vistos”, reporta-se ele sobre essas construções que são emblemas e símbolos de nossa civilização.

Casa Branca

Nos quadros Flemming apresenta duas camadas de representação: o monumento construído e o monumento destruído. Um fim e um novo começo? A destruição seria então a premonição de um novo recomeço, como está no Apocalipse, último livro da Bíblia, escrito por João?

Apokalypse, Revelação, Fim de Mundo. No texto do apóstolo João, o apocalipse trata da revelação divina das coisas que permaneciam secretas e fala de um novo mundo que vai surgir das cinzas do velho. Na Bíblia, Deus diz: “Veja, Eu faço tudo novo”.  Essa premonição é sugerida pelo artista na representação dos patrimônios culturais que estão morrendo.

As pinturas apresentadas numa igreja criam desconforto na medida em que entre as telas, 8 retratam outras instituições religiosas destruídas, inclusive a Kirche am Hohenzollenplatz, local da exposição. Além disso, a escolha da exposição “Apokalypse” num país que promoveu guerras mundiais e que criou um muro separando politicamente as pessoas foi fundamental para o conceito do ciclo.

Recombinando texturas, vazamentos e espessuras, o artista provoca e inquieta o visitante em um momento em que há a preocupação com o mundo atual, sua civilização e cultura, e com o que virá a ser.

Em quadros de mais de dois metros há a sobreposição das construções e seu estilhaçamento através dos índices das cores e das figuras que aparecem em pedaços, translúcidos. Ao redor delas, pinceladas em tons de vermelho ou tons claros sobre um fundo escuro e mesclado de preto, prata e cinza. A técnica usada pelo artista é a pintura com estêncil que ele havia usado anteriormente na série Caos. Sobre esse fundo sombrio, uma explosão de cores, porque “toda obra de arte tem que ser bela”, reflete Flemming sobre a questão cromática. “A destruição, então, na tela é linda!”, ele completa.

A Mesquita Azul de Istambul, a Notre Dame de Paris, o Portal de Brandemburgo de Berlim, o Empire State de Nova Iorque ou a Catedral de Brasília em estilhaços e diafanados, entre outros, encenam o fim de uma época, de uma cultura, ao mesmo tempo que apontam para as mudanças políticas, sociais e culturais que já se fazem perceber no mundo contemporâneo. Esse estado das pinturas, seus apocalipses, também pode ser reportado e uma advertência às demolições das instituições brasileiras promovidas pela condução política do país.

Índices de nuvens ou fumaça em tons claros, de poeira, de rastros de fogo, num jogo de saturação de cores e transparências apontam tanto para o fim, como para a festa colorida de um recomeço.

Flemming fala de seu trabalho de modo obsessivo e apaixonado, de suas reflexões e preocupações sócio-político-culturais, assim como seus quadros as encarnam e refletem. Sua trajetória sempre esteve politicamente engajada contra as desigualdades, os conflitos e as guerras. Em séries anteriores, por exemplo, como “Bodybuilders”, grandes e coloridas fotos-pinturas de corpos “sarados” e nus, masculinos e femininos, são estampadas com mapas de diferentes áreas em conflitos de guerra. Ou a série “Flying Carpets”, que reflete o 11 de setembro, apresentando tapetes orientais em formato de aviões. Suas telas chocam e orientam o visitante para o trabalho das cores, para a técnica e o recorte, para a textura da tela e para o viés da visão do artista. Segundo Flemming, as pinturas do ciclo Apokalypse são belas metáforas do mundo contemporâneo.

Empire State

 

Texto:  Maria Teresa Santoro Dörrenberg
Fotos: Henrique Luz

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