Artista chileno apresenta em Petrópolis uma nova versão de The Cloud, obra que relaciona fronteiras, migração e deslocamentos humanos
Alfredo Jaar estará no Centro Cultural Sesc Quitandinha, em Petrópolis, nesta quarta-feira, 19 de agosto, às 12h, para visitar “Mais belo é o rio que corre”, exposição da qual participa com uma versão inédita de The Cloud, ou La Nube. A mostra, com curadoria de Marcelo Campos e assistência de Rodrigo Duarte, reúne mais de 100 trabalhos de mais de 40 artistas e permanece aberta ao público até 28 de fevereiro de 2027.
A presença de Jaar amplia uma das linhas centrais da exposição, que toma os rios como espaços de passagem, memória, conflito e transformação. A ideia de confluência orienta o projeto curatorial. Quando dois rios se encontram, suas águas podem seguir por algum tempo sem se misturar completamente, preservando diferenças de cor e densidade. A imagem serve à mostra para pensar encontros que produzem novas possibilidades sem necessariamente eliminar as origens de cada lado. Em menos de dois meses, “Mais belo é o rio que corre” já recebeu mais de 310 mil visitantes. Na abertura, alcançou a marca de 16 mil pessoas em um único dia, recorde de público do espaço.
É nesse campo de encontros e fronteiras que The Cloud ganha nova leitura. A obra de Jaar, realizada em diferentes versões ao longo de sua carreira, recorre à imagem de uma nuvem para tratar de deslocamentos, migração e crises humanitárias. Em 2000, durante o projeto inSITE2000, o artista instalou uma nuvem composta por mil balões brancos sobre a cerca entre México e Estados Unidos, em Tijuana. Anos depois, uma nova versão foi apresentada na Irlanda, na EVA International, em diálogo com a crise migratória europeia. No Quitandinha, o trabalho aproxima esses conflitos da dimensão simbólica dos rios e dos limites que separam territórios e pessoas.
Nascido em Santiago, em 1956, Jaar atua como artista, fotógrafo, arquiteto e cineasta e vive e trabalha em Lisboa. Sua produção já passou por quatro edições da Bienal de Veneza, quatro da Bienal de São Paulo e duas edições da Documenta de Kassel. No Brasil, apresentou uma exposição individual no Sesc Pompeia, em São Paulo, em 2021. Seu trabalho integra acervos como os do MoMA e do Guggenheim, em Nova York, da Tate, em Londres, do Centre Pompidou, em Paris, do MASP, em São Paulo, e do Museo Reina Sofía, em Madri. Entre os reconhecimentos recebidos estão o Hiroshima Art Prize, em 2018, o Hasselblad Award, em 2020, e, em 2025, a Medalha Edward MacDowell e o 11º Prix Pictet.
Mais belo é o rio que corre pode ser visitada gratuitamente de terça a domingo e nos feriados, das 10h às 17h, no Centro Cultural Sesc Quitandinha, na Avenida Joaquim Rolla, 2, em Petrópolis. A exposição fica em cartaz até 28 de fevereiro de 2027.


