Com 30 obras inéditas e recentes, mostra gratuita ocupa antigo edifício médico projetado por Ramos de Azevedo e marca o retorno do artista ao circuito expositivo brasileiro após 34 anos em Berlim.
Em vez de uma galeria convencional, Alex Flemming escolheu as ruínas de um edifício histórico no centro de São Paulo para apresentar Alex Flemming Apocalipse, exposição que reúne 30 trabalhos inéditos e recentes e inaugura a programação de artes visuais do Palacetes da Sé. Com curadoria de Fábio Magalhães, a mostra pode ser visitada gratuitamente até 30 de agosto, na Rua Roberto Simonsen, 97.
Projetado por Ramos de Azevedo e inaugurado em 1919 para abrigar a antiga Policlínica e a Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, o prédio ficou mais de 85 anos desativado. Agora em processo de revitalização, conserva marcas de deterioração e áreas sem iluminação elétrica. Flemming incorpora essas características ao percurso, aproveitando a luz natural e fazendo da própria arquitetura uma espécie de obra em diálogo com as pinturas e instalações.

Obra Série Apocalipse. © Alex Flemming.

Obra Série Apocalipse. © Alex Flemming.
A exposição se divide entre as séries Apocalipse e Retratos Invisíveis. Em ambas, a figura humana aparece como eixo para tratar de guerra, memória, morte e permanência. Na segunda série, a ausência do corpo ganha protagonismo e cria uma tensão entre aquilo que está presente e aquilo que desapareceu. “Trata-se de uma experiência radical. O público visitará a exposição dentro de uma ruína, marcada pelo tempo, para refletir sobre o ser humano”, afirma Flemming. Para o artista, o edifício também desloca a experiência para longe do modelo do tradicional cubo branco, colocando em primeiro plano a impermanência da arquitetura, da arte e dos valores humanos.
Para Fábio Magalhães, o retorno de Flemming ao país revela uma fase especialmente intensa de sua produção. “Alex retorna ao Brasil depois de viver 34 anos em Berlim, mantendo uma presença constante na arte brasileira”, diz o curador. Ele destaca ainda o caráter inédito de parte significativa dos trabalhos e a força de Retratos Invisíveis, em que a retirada do corpo provoca uma reflexão sobre presença e desaparecimento.
A exposição também inaugura o Palacetes da Sé como novo endereço dedicado à arte, à cultura e à economia criativa no centro paulistano. O projeto é conduzido pelos empresários Allan Ruiz e Chico Lowndes e aposta na recuperação do edifício sem apagar as marcas de sua história. “A arquitetura, preservada em seu estado de ruína, amplia a experiência da exposição e reforça seu conceito”, afirma Ruiz. “Também celebramos dois importantes recomeços”, completa, ao associar a abertura do espaço ao retorno de Flemming ao circuito brasileiro.


