Neste outono, o artista chinês Ai Weiwei apresentará uma nova obra na Ucrânia, abordando os desdobramentos da guerra em curso com a Rússia. Intitulada Three Perfectly Proportioned Spheres and Camouflage Uniforms Painted White (“Três Esferas Perfeitamente Proporcionadas e Uniformes de Camuflagem Pintados de Branco”), a instalação será exibida de 14 de setembro a 30 de novembro no Pavilhão 13, espaço expositivo da era soviética localizado em Kyiv. Com curadoria da organização sem fins lucrativos Ribbon International, que apoia a arte e a cultura ucranianas, a obra foi concebida especificamente para o local.
Segundo Ai Weiwei, a exposição pretende instaurar um diálogo direto sobre guerra e paz, razão e irracionalidade. “Ser convidado a realizar uma exposição em Kyiv, capital de um país em guerra, é uma oportunidade para expressar ideias e reflexões através da arte. Minhas obras não são apenas expressões estéticas, mas posicionamentos diante de transformações políticas, hegemonias internacionais e conflitos”, afirmou o artista em comunicado. A nova peça remete às formas esféricas da série Divina Proportione (2004–2012), inspirada pelos estudos matemáticos de Leonardo da Vinci. Uma edição dessa série, realizada em madeira huanghuali, faz parte do acervo do LACMA em Los Angeles.
Na versão criada para Kyiv, Ai apresentará três esculturas metálicas revestidas por um tecido de camuflagem modificado, estampado com motivos animais e posteriormente coberto por uma camada translúcida de tinta branca — um segundo véu de disfarce. “Quando se cobre algo, o que está por baixo ainda persiste”, diz Ai, sugerindo camadas de realidade sobrepostas, e a tensão entre o que se vê e o que se compreende. Atualmente, Ai Weiwei também é tema da retrospectiva Ai, Rebel: The Art and Activism of Ai Weiwei, em cartaz no Seattle Art Museum, cuja crítica na Art in America aponta como a mostra desafia o simbolismo liberal da arte política contemporânea, revelando o quanto ele pode ser, por vezes, compensatório.


