ação performática que (d)enuncia as mortes por COVID-19 É reativada pela soma de 500 mil óbitos

FOTO: Kevin Nicolai

A performance Quase-Oração realizará, de 25 de junho a 5 de julho, a sua última etapa de reativação com a meta de alcançar a emblemática e trágica marca de 500 mil mortos pela COVID-19 no Brasil. A ação coletiva duracional conta com a participação de dezenas de pessoas, entre artistas e não-artistas, de diferentes estados do território nacional e brasileiros residentes no exterior, que se revezarão para contabilizar os números das vítimas fatais da doença. O público poderá acompanhar ao vivo a leitura dos números pelo Instagram @quaseoracao.

O ato coletivo de contagem e denúncia deverá reunir, para este momento final, cerca de 80 pessoas e partirá do número de 335 mil vidas perdidas, atingido em suas etapas anteriores, e cuja soma de tempo de realização chega hoje a cerca de 350 horas. A primeira ativação ocorreu entre 25 de janeiro e 02 de fevereiro, partindo do número 1 ao 225.143. Nesta largada, os algarismos foram contados durante 24 horas, tornando-se uma das mais longas performances ininterruptas já realizadas no país. Na sequência, o registro de 250 mil óbitos no país desencadeou novo engajamento do grupo, que agregou participações como a dos criadores do Memorial Inumeráveis (@inumeraveismemorial), Edson Pavoni e Gabriela Veiga.

A respeito do encerramento da ação, destaca Diego Vacchi, um dos organizadores: “estamos diante de uma das maiores crises sanitárias do mundo e as mortes pela doença estão sendo relativizadas, como se estivéssemos amortizados diante da marca diária de óbitos. O Quase-oração é uma resposta coletiva à essa barbárie, e cujos resultados poderiam ser outros se medidas mais adequadas tivessem sido adotadas e houvesse o respeito à vida”.

Um fragmento do texto coletivo, que acompanha o trabalho, afirma: “Solitária e em conjunto, a performance denuncia a impessoalidade dos números constantes nas estatísticas e presta uma homenagem às vítimas da pandemia. O som de cada número está no lugar de uma vida – irrepetível, irrecuperável – que se extinguiu. Assim, a enunciação é realizada como um cumprimento de um rito lento, longo, repetido e sistemático. Uma “quase-oração” de despedida por e daqueles que deram seus últimos suspiros”.

A performance ocorrerá em diversos horários ao longo dos dias propostos. Os vídeos ficam salvos, criando um grande corpo de memória para que não esqueçamos nunca essa tragédia que vivemos. Para acompanhar, acesse instagram.com/quaseoracao

FOTO: Kevin Nicolai

Quase-Oração

Como pensar a coletividade – seus condicionamentos, prescrições e inscrições – a subjetivação em sua dimensão coletiva e sociopolítica, neste aqui e neste agora, no qual a vida e a morte parecem viver processos de ressignificação e quantificação, que fogem aos seus tidos “normais” lugares semânticos-conceituais? Diante dessa traumática realidade que se impõe sobre nós, não há espaço para simulação de um distanciamento reflexivo frio diante da dor que, individual e coletivamente, de forma implacável, nos toma.

A enunciação de cada número é o modo de cumprir um rito lento, longo, repetido e sistemático; uma “quase-oração” de despedida por e daqueles que deram seus últimos suspiros. Performance quieta e ruidosa. Solitária e em conjunto. Números. Impessoais números. Uma rude e soturna ironia, posto que cada som e sílaba de cada palavra, em verdade, evoca e está no lugar de uma vida – única, irrepetível, irrecuperável – que se extinguiu. A matemática seca das estatísticas é alongada à exaustão, à náusea. A esses números, são contrapostas as cifras da equação capitalista capaz de relativizar a “vida humana” em prol “da saúde econômica”.

Que a nós, sobreviventes inquietos, perturbados pela ameaça ou iminência da perda, o som dessa contagem persiga de forma incômoda e insistente. A soma ainda está em aberto. Assim como a ferida.

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