215 artistas fazem homenagem à Cildo Meireles

Robinson Oliveira, homenagem a Cildo Meireles

A galeria Zagut abre a exposição Desvio para o vermelho, uma homenagem à Cildo Meireles com 215 artistas participantes usando técnicas como pintura, técnica mista, fotografia, impressão sobre canvas, gravura, colagem, acrílico, objeto, escultura, assemblage, entre outras.

A coletiva será apresentada de forma virtual por conta da quarentena e fazendo o lançamento da sua plataforma de catálogos e obras virtuais. Mantendo a programação do vernissage e não suspendendo a exposição, Isabela Simões, sócia da galeria, lançará no mesmo dia o catálogo da exposição no site da galeria e nas redes sociais com uma live comemorativa com todos os artistas participantes num bate-papo sobre suas obras e a relação com a do artista Cildo Meireles. Além disso, no canal do youtube da galeria, serão colocados uma seleção de filmes com mais de duzentos artistas, obras e depoimentos. Segundo Isabela, apesar da frustração de não conseguir fazer um vernissage físico, o apoio dos artistas foi muito importante para o desafio de não deixar vazio e proporcionar conteúdo de qualidade para o público. Isabella destaca essa exposição como a que teve maior adesão de artistas, num total de 215.

Denise Paiva, Custodio Coimbra, Débora Carneiro, Helena DÁvila, Lando,Ana Durães, Alê Silva, Adriana Montenegro, Aleteia Daneluz, Alexandre Lambert, Ana Luiza Mello, Ana Mattos, Anderson Tibau, Andrea Acker, Augusto Herkenhoff, Chica Granchi, Clara Cavendish, Claudio Copello, Denize Torbes, Fernando Brum, Gilda Santiago, Ricardo Newton, Vicente Duque Estrada, entre outros, estão presentes entre os 215 artistas participantes da coletiva.
“A homenagem a um artista tão importante na nossa cultura mobilizou muito os artistas e os trabalhos estão incríveis. Muitos foram construídos especialmente para a mostra e outros foram pinçados na obra construída ao longo dos anos numa construção de muitas mãos. A elaboração dos vídeos foi um outro desafio, uma mobilidade para muitos artistas. O trabalho do artista geralmente é muito solitário.por isso, foi sendo construído de forma muito compartilhada nesse período de quarentena, um apoiando o outro e certamente andando de mãos dadas virtuais”.

“Para a Zagut é uma grande celebração e um grande desafio promover este encontro em torno desse gigante da arte brasileira e que, ao mesmo tempo, é esse personagem tão sensível e terno. Não há como deixar de agradecer o que faz pela arte, mas também pelo nosso microcosmo, seu apoio ao longo da breve história da Zagut e da trajetória artística do Augusto. Pela sua impressionante capacidade de ser sempre tão aberto ao novo, a dar suporte a artistas, a idéias e a espaços que democratizem a arte, em especial na nossa realidade” ( Trecho do texto de Isabela Simões para a exposição ).

Esses são os 150 primeiros compradores e patrocinadores do catálogo DIVERSAS 2006- 2019.

1 SamuelPunzi
2 Moema Baptista
3 Ecila Huste
4 Sandra Passos
5 Eduardo Mariz
6 Nina Costa
6 Acataussu
7 Bebel Lenzi
8 Andrea Boisson
9 Ricardo Newton
10 Fabiano Fernandes
11 Jorge Cerqueira
12 Robinson Oliveira
13 Ana Paula Alves
14 luiz Carlos Borges
15 Peter O’Neill
16 Marcelo e Fátima
17 Marcelo Veiga
18 Geraldo Coelho
19 Carlos Cesari
20 Ralf Lagerblad
21 DENEIR
22 Denise Araripe
23 Eda Mir
24 Maria Cherman
25 Vera Alvarez
26 Araken
27 Isabella Marinho.
28 Martha Pires Ferreira
29 Neila Geaquinto
30 RômuloPalhinha
31 Mário Franklin
32 Claudia Watkins
33 Higner Mansur
34 Maria Elvira Freitas Costa
35 Renato Santana
36 Ana de Paula Gerdau
37 Marcus Ferraço
38 Vani
39 Bosco Renaud
40 Teresa Coelho César
41 Mário Coelho
42 Gustavo Herkenhoff
43 Elenise Gumy
44 Ana Cristina O.
45 Noemi Ribeiro
46 Helena Wassersten
47 Márcia Estellita Lins
48Nando Cavallieri
49 Renata Sarraceni
50Paulo Marcelo
51 Paulo Rubens
52 Leila Cavalieri
53 Eloisa Imbilicieri
54 Maria Lúcia Presgrave
55 Ana Viegas
56 Tereza Norma
57 Jorge Barata
58 Adelson Moreira
59 ZéZéHerkenhoff
60 MArcusGasparini
61 Helen Faganello
62 Ranieri Mazzili
63 Antonio Americano
64Fern .Henning
65 Isis Braga
66 Yolanda Freire
67 Chagas Freitas
68 Juarez Penna
69 Tânia Calazans
70 Clélia Soares
71 Fernando Neyder
72 Roberto Avelino
73 Wanda Ferreira
74 Março A. Neffa
75 Viviane Mosé
76 D.STeinhaus
77 Cecília Rondon
78 Anna Braga
79 Neila Geaquinto
80 Vicente Duque Estrada
81 Patricia Assumpção
82 Alberto Fernades
83 Lando Faria
84 Ligia Teixeira
85 Rosane Chonchol
86 Celeste Sardenberg
87 Debora Steinhaus
88 Barbara De Chevalier
89 Ricardo Ferraço
90 Camilo Cola
91 Ricardo Ruiz de Muniz
92 Anna Paula S. Marbet
93 G. Sardendeg
94 Eduardo Frota
95 Vitoria Sztejnman
96 Maria Lúcia Fontainha
97 Ana Luiza Mello
98 Salazar Figueiredo
99 Cleone Augusto
100 Norma Mieko Okamura
101- Eleonora Dobbin
102 Anita Fiszon
103 Israel Stolnick
104 Adriana Montenegro

TEXTO DESVIO PARA O VERMELHO – HOMENAGEM A CILDO MEIRELES

ZAGUT

Para a Zagut é uma grande celebração e um grande desafio promover este encontro em torno desse gigante da arte brasileira e que, ao mesmo tempo, é esse personagem tão sensível e terno. Não há como deixar de agradecer o que faz pela arte, mas também pelo nosso microcosmo, seu apoio ao longo da breve história da Zagut e da trajetória artística do Augusto. Pela sua impressionante capacidade de ser sempre tão aberto ao novo, a dar suporte a artistas, a ideias e a espaços que democratizem a arte, em especial na nossa realidade.
O currículo extenso de prêmios nacionais e internacionais, presença em importantíssimas coleções em vários países, grandes retrospectivas como a atual em São Paulo e também alhures (entre as três melhores do ano de 1999 em Nova Iorque, segundo a crítica especializada), pavilhões em importantes museus, inúmeras capas de revistas, tudo isso ajuda a evidenciar o reconhecimento de como suas obras conseguem contar estórias de extrema importância e tocar almas, um reflexo de sua capacidade empática admirável.
Muitos já tentaram desvendar um pouco do Cildo, traduzir em palavras o que nos provoca com suas obras, como nos representa. Longe de tentar aprofundar
tal exegese, este texto apenas tenta recolher alguns pontos levantados por estudiosos dessa obra, e até mesmo através de entrevistas do próprio Cildo.
Além disso, também são muitas as obras desse artista que marcam as pessoas. Desvio para o vermelho foi escolhido para esta homenagem por alguns motivos. Por popularidade, já que desde sua criação em 1967, montada em 1984 no MAM, já foi recriada diversas vezes, propiciando algumas possibilidades de contato com o grande público. Seja no MAC-SP em 86, na Bienal de 1998, no Pavilhão de Inhotim desde 2006 em uma segunda versão permanente, em 2016 com as crianças no Parque Lage a parte da obra Impregnação, no exterior, sendo talvez uma de suas obras mais conhecidas.
Tem, ainda, uma conotação política, tão importante na obra de arte nos tempos atuais, que permite gerar ampla reflexão.
Se o fato de ter presenciado a manifestação estudantil na qual se escreveu com o sangue do jornalista assassinado “Aqui morreu um jovem defendendo a liberdade de imprensa” foi ou não um motim inconsciente para a elaboração do projeto, eis algo que fica no ar. O artista não tem certeza, mas o curador Paulo Herkenhoff, sabendo do caso, ligou o fato. A ideia de dualidade é trabalhada por esse crítico ao colocar o acúmulo e o essencial, assim como as semelhanças (tudo é vermelho) e diferenças (todos diferentes), único e múltiplo. Mas, referindo-se à obra de Cildo como um todo, propõe haver “falência da lógica” (moedas que valem zero, metros que não medem). Chama-o de um teórico poético da sociedade. O que o próprio Cildo refere ser “falsas lógicas”: garrafa com uma poça desproporcional,  simbolizando o horizonte perfeito, e uma pia inclinada cujo jato ignora a lei da gravidade, se contrapondo a essa ideia anterior da perfeição…desvio dos desvios…uma de suas “inutilidades imprescindíveis”.
Já Frederico Moraes, em seus textos, comenta que, com essa obsessão pela monocromia, a cor que impregna os objetos acaba por anulá-los, ao deixar de ser apenas o fundo. E que, apesar de Cildo afirmar que trata de questões poéticas, há importante leitura política e que descortina o contexto da realidade do país.
Esta homenagem não pretende responder à pergunta de Lisette Lagnado nos idos de 1998: “À ideia de coleção subjazeria uma gramatologia?”. Mas há certamente um sentido possível em uma coleção de obras de mais de 200 artistas interessados no que Cildo (que chama a Impregnação de “Coleção das Coleções”) vem apregoando em sua trajetória.
Essa mostra não teve uma seleção formal. O foco do espaço sendo de interdisciplinaridade entre áreas de conhecimento e de gerações; os artistas com duas a três décadas de trilha nos caminhos da arte, que são os que orbitam no universo curatorial da ZAGUT, foram convidando outros com mais ou menos décadas, que tinham estórias interessantes para contar.

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