ZILAH GARCIA | CASACOR RIO DE JANEIRO

Plástico vira poesia visual na CASACOR Rio. Artista Zilah Garcia apresenta a Exposição “Elas Tramam” no espaço da Artmotiv.

Ao longe, parecem apenas cores, texturas, movimentos em harmonia. Mas, ao se aproximar, o olhar se surpreende: são sacolas plásticas transformadas em tapeçarias, criadas pela artista plástica Zilah Garcia.

Depois de anos recolhendo o lixo que chegava às praias — muitas sacolas vindas de supermercados, lavanderias, lojas,  a artista decidiu dar a esses resíduos um novo destino. Do descarte, surge das mãos de Zilah um crochê delicado, em peças que combinam paciência, técnica e sensibilidade estética, ressignificando o plástico em arte.

Como resultado, a artista leva à CASACOR Rio de Janeiro, no Fashion Mall, mais de 20 obras feitas com destaque para o painel de 7m x 3m, no espaço destinado à Artmotiv. A mostra Elas Tramam é um convite a pensar sobre consumo, descarte e cuidado com o planeta, provando que, às vezes, o que parecia perdido pode ganhar nova vida — e ainda encantar os olhos. Cada tapeçaria é também uma experiência estética que provoca encanto, surpresa e reflexão. A curadoria é de Christiane Laclau, fundadora da Artmotiv.

“Cada sacola que recolhi era um lembrete do impacto do nosso consumo. Transformá-las em arte foi minha maneira de dar vida ao que parecia perdido”, explica Zilah. “O crochê me permite criar texturas e movimentos, quase como se cada peça tivesse sua própria respiração. É a poesia do plástico, que desafia quem olha a enxergar além do óbvio.”

“O mais fascinante é perceber o olhar das pessoas quando descobrem que aquilo que parecia apenas uma tapeçaria colorida é, na verdade, plástico. É um choque de beleza e consciência ao mesmo tempo”, conclui a artista.

 

Elas tramam

Zilah Garcia (@zilahzgarcia)

Dificilmente terminamos de fazer compras sem levar conosco uma sacola plástica. No entanto, não nos perguntamos sobre qual será seu destino após o fim do ciclo de uso. Para onde vão quando não servem mais a ninguém? Há doze anos, o momento de colocar os pés no mar se transformou para Zilah Garcia. Uma sacola a alcançou, revelando uma mensagem como as míticas garrafas que viajavam boiando pelas águas.

Desde então, a artista interveio no destino, recolhendo sacolas por onde passa e lhes dando uma vida nova, como a matéria-prima da obra que apresentamos na Casa Cor Rio de Janeiro. A instalação de grandes dimensões e a série de quadros são a parte final de um processo meticuloso que transforma as sacolas em fios para tramá-los à mão pacientemente. O trabalho deixou de ser solitário e passou a gerar renda para uma rede de mulheres que foram formadas por Zilah para colaborarem na produção.

“Elas tramam” transforma materiais descartados em superfícies de forte presença visual, resgatando a relação entre gesto, matéria e tempo que antecede a industrialização da arte. A origem plástica se dissolve e o que emerge são composições de padrões geométricos e de manchas mais livres e informais que remetem à aquarela e ao afresco, técnicas que a artista estudou durante anos na Itália e no Brasil.

Junto às cores, os desenhos, especialmente o da instalação, sugerem cartografias, zonas climáticas, mas também podem ser a paisagem de águas que se rebelam por termos feito delas um mar de resíduos. Zilah Garcia transforma o que invisibilizamos no cotidiano em arte têxtil sensível e política. O trançar das sacolas é também o trançar de vínculos: entre mulheres, entre territórios, entre nós — e o que escolhemos transformar.

Christiane Laclau (@artmotiv.brasil), curadora.

Compartilhar: