Vulcão | MAM Rio

A partir do dia 4 de setembro, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) exibirá Vulcão (2019/2021), obra da artista paulistana Carmela Gross. Composta por linhas amarelas e vermelhas de LED, a instalação em grande escala ocupará a fachada oeste do prédio projetado por Affonso Eduardo Reidy, a interpelar o olhar de quem caminha ao redor ou enxerga o museu à distância.

De acordo com a artista, o projeto do Vulcão nasceu de um longo exercício, iniciado com desenhos em caderno, e passou por diversas etapas até chegar à empena do MAM Rio: “Entre 2017 e 2018, colecionei fotos de vulcões que encontrava em livros, jornais, revistas e meios eletrônicos. Elaborei a visualidade de cada uma por meio de operações digitais, ampliando, recortando e simplificando suas formas em manchas compactas em preto e branco”. Após compor uma coleção de imagens de vulcões, Gross as processou digitalmente em pequeno formato e reproduziu cada imagem por meio de desenhos em nanquim e lápis sobre papel, num exercício cotidiano de fazer massas escuras e nuvens de fuligem: “Fiz outros tantos desenhos em tamanho grande, tratando de constituir territórios vulcânicos com massas de tinta”, revela.

Por duas temporadas em 2019, a artista trabalhou no ateliê de gravura da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, e com o auxílio de Eduardo Haesbaert, coordenador do ateliê, produziu monotipias à óleo em suportes maiores, a partir dos desenhos de vulcões gerados nos anos anteriores. A experimentação em monotipia deu origem ao conjunto que será apresentado na 34ª Bienal de São Paulo, com o título Boca do Inferno.

Em dezembro de 2019, Carmela visitou o MAM Rio com a proposta de elaborar um projeto para a parte externa do museu, a convite dos então curadores Fernanda Lopes e Fernando Cocchiarale: “Na ocasião, com muito entusiasmo, imaginei a construção de um grande luminoso na empena, para ser visto de longe”. Surge daí a estrutura metálica com 4,50m de altura por 6,30m de comprimento que será instalada na fachada do museu em setembro.

Segundo Beatriz Lemos, atual curadora da instituição carioca, três aspectos se relacionam em Vulcão: o desenho como fundamento; a observação do espaço urbano; e a luz, como algo que orienta o corpo e o trajeto do passante na cidade. “A trajetória de Carmela Gross mostra um interesse persistente em relacionar-se com esses espaços e tecnologias de orientação, e Vulcão é resultado deste impulso. Uma obra que vem para provocar erupções, respondendo ao desejo de refletir sobre um mundo em convulsão, que se rebela e manifesta com a força dos cataclismas da história brasileira”, analisa Lemos.

Vulcão é um questionamento sobre arquitetura e arte, movimento e paralisia, pulsões de morte e vida. Convoca os públicos a participarem, de longe ou de perto, e por meio de lava, pó, gases e outros mistérios em erupção, firma a importância em fazer coro à força coletiva daqueles que enxergam.

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