O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro apresenta, de 11 de fevereiro a 30 de março de 2026, a exposição Vetores-Vertentes: Fotógrafas do Pará, um panorama inédito da fotografia contemporânea produzida por mulheres amazônicas. Reunindo 170 obras e ocupando integralmente o térreo e o 2º andar do CCBB Rio, a mostra afirma a fotografia feminina do Norte do país como um dos campos mais potentes da arte contemporânea brasileira, tanto pela força estética quanto pelo seu engajamento político, poético e territorial.
Idealizada pelo Museu das Mulheres (Museu DAS) e com curadoria de Sissa Aneleh, pesquisadora que há quase duas décadas investiga as narrativas visuais da Amazônia sob uma perspectiva feminina e decolonial, a exposição reúne artistas de diferentes gerações — dos anos 1980 à produção mais recente — e consolida uma cena fotográfica amazônica que hoje ocupa posição central no debate artístico nacional. Após passagens de grande repercussão pelos CCBBs de Belo Horizonte, Brasília e São Paulo, a chegada ao Rio reforça o deslocamento simbólico da Amazônia para o centro do circuito cultural brasileiro.
O percurso expositivo constrói uma grande cartografia visual da Amazônia contemporânea, revelando um Pará múltiplo, urbano e ribeirinho, cosmopolita e ancestral, distante de estereótipos e da exotização historicamente associada ao território. O visitante atravessa obras documentais, experimentações formais e propostas imersivas que articulam corpo, memória, espiritualidade, política e ancestralidade, incluindo uma experiência audiovisual em Realidade Expandida logo na entrada e a instalação aromática Ycamiabas, que amplia a percepção sensorial do espaço expositivo.
Participam da mostra Bárbara Freire, Cláudia Leão, Deia Lima, Evna Moura, Jacy Santos, Leila Jinkings, Nailana Thiely, Nay Jinknss, Paula Sampaio, Renata Aguiar e Walda Marques, artistas que, cada uma a seu modo, expandem os repertórios da fotografia brasileira ao cruzar documentação, experimentação, processos híbridos e novas materialidades. Em conjunto, seus trabalhos afirmam a fotografia como ferramenta de resistência, cuidado, memória e construção de identidades, colocando mulheres amazônicas no centro da produção e do discurso artístico contemporâneo.

