Vestígios | Galeria Rabieh

A Exposição
Presente em toda história da arte, a comida esteve representada de diversas maneiras ao longo dos séculos: das naturezas mortas das primeiras pinturas do Renascimento até o pop de Andy Warhol, passando pelas naturezas vivas das pinturas mexicanas dos anos 1930-40, nas quais a comida e a cozinha representavam um espaço de inspiração e criatividade. A partir do dia 01 de junho, a exposição Vestígios, na galeria Rabieh, em São Paulo, a relação homem, alimento e arte estará posta sob uma nova perspectiva: a do desperdício.
Com concepção de Luciana Farias e curadoria de Tainá Guedes em colaboração com Daniel Rangel, participam do projeto Uli Westphal, Rodrigo Braga, Neka Menna Barreto, Klaus Pichler, Lenora de Barros, Leo Botto, Gustavo Godoy, Sergio Vasconcelos, Jorge Furtado, Edinho Engel e Ayrson Heráclito.
“A efemeridade do alimento pode ser visualizada, absorvida e mantida permanentemente, concretamente e fisicamente na memória dos participantes. Nesta exposição, os visitantes são convidados a atividades participativas nos workshops em diálogo com as obras, interagindo e atuando com todos os sentidos”, declara Tainá Guedes, curadora da exposição.
Ao longo de todo mês de junho, a exposição promoverá atividades paralelas; conversas, visitas guiadas, performances gastronômicas, projeções e workshops, permitindo aprofundamento e reflexões sobre as questões abordadas pelos artistas e chefs.
A exposição e as atividades são gratuitas e estarão abertas ao público de 1 a 30 de junho.
Confira a lista completa de artistas e obras
Artistas internacionais
1 – Klaus Pichler
“One Third” (Um terço) 2011-2012
Serie de fotografias, 80x100cm
Quantidade: 10 imagens
“One Third” é o nome de uma série de imagens produzidas pelo fotógrafo austríaco Klaus Pichler, que retrata comidas em decomposição em vários estágios, acompanhadas de legendas que descrevem o valor que cada uma delas custa e os recursos naturais e humanos que foram necessários para sua produção. O título da série-, “One Third”- refere-se ao percentual de alimentos que de acordo com um estudo da FAO, vai para o lixo em todo o mundo. Os produtos alimentares vêm com sua própria história individual e são produzidos de formas diferentes em diferentes partes do mundo. Eles só têm uma coisa em comum: eles são jogados fora.
2 – Uli Westphal
Mutatoes (2006-até o presente)
Série de fotografias, 23,6 x 30cm
dimensao da instalação: 2m alt/ 3m larg
Mutato-Archive é uma coleção fotográfica de frutas não-padrão, raízes e legumes, conhecidas como “Misfits”, exibindo uma estonteante variedade de formas, cores e texturas que só se tornarão visíveis aos consumidores quando as normas comerciais que as proíbem de serem vendidas nos supermercados deixarem de existir. A proibição da venda destes alimentos, igualmente nutritivos e saborosos, resulta na não colheita desses alimentos nos campos de produção, gerando o desperdício não somente do alimento, como de todos os recursos que forem necessários para a produção dos mesmos.
Eternal Summer (2011)
Madeira, espelho, vidro, luzes, alumínio, frutas artificiais
80cm x 52cm x 52cm
Eternal Summer é uma escultura feita de espelhos, inspirada nas ilhas de produtos frescos vendidos nos supermercados. Usar espelhos é uma das técnicas utilizadas pelos supermercados para vender mais, dando a impressão de abundância. A abundância visual desencadeia instintos primitivos nos consumidores, estimulando-os a comprarem mais do que realmente precisam, resultando no desperdício de grande parte dos alimentos comprados.
Ultraviolet Schnitzel (2011)
Madeira, vidro, alumínio, LEDs, schnitzel
3x 34cm x 24cm x 24cm
Três displays com um pedaço de carne ao meio com efeito de diferentes luzes demonstram como a cor do alimento podem alterar nossa percepção e desejo. Usado como artifício para aumentar a venda da carne, este é mais um truque que os supermercados usam para atingir o consumidor.
A Pocket Guide to Supermarket Psychology
Papel, edição especial brasileira de 100
7cm x 14,5cm
Supermercados têm seus espaços meticulosamente coreografados e pensados, tendo cada elemento uma função específica. Fazendo uso de efeitos psicológicos e ilusões visuais para direcionar o fluxo de clientes e aumentar as vendas. Este “Guia de bolso” tem como objetivo orientar e revelar a ampla variedade destas manipulações ao consumidor.
Artistas Brasileiros
3 – Lenora de Barros
NO PAÍS DA LÍNGUA GRANDE, DAI CARNE A QUEM QUER CARNE / In The Country Of The Big Tongue, Give Meat To Those Who Want Meat, 2006
Videoperformance, 33”
Edição: Lenora de Barros e/and Luciano Mariussi
Câmera e fotografia: Luciano Mariussi e/and Ivana Vollaro
Som: Cid Campos
4 – Rodrigo Braga
De compaixão cínica
4 obras fotográficas tamanho (60×40)
O trabalho de Rodrigo Braga aborda frequentemente a relação homem e natureza, sendo constante a presença de partes de animais e vegetais em suas imagens carregadas de simbolismo e plasticidade. A série “De compaixão cínica” é composta por quatro imagens onde o artista relaciona partes de restos de bichos, vendidos em feiras, com partes do corpo humano, criando uma mimeses entre estas.
5 – Ayrson Heráclito
Transmutação da Carne
3 fotos e 1 vídeo
A performance “Transmutação da Carne” de Ayrson Heráclito propõe que performers utilizem roupas, desenhadas pelo artista, realizadas com carne de charque e que estas sejam marcadas, a ferro quente, no corpo dos performances, como se fossem gado. Elementos de comida e a ritualística sagrada e profana estão frequente na abordagem do trabalho de Heráclito, que realizou esta performance durante a abertura da mostra de Marina Abramovic no SESC em São Paulo. As fotos apresentadas na exposição foram tiradas por Christian Cravo.

senha: carne 1
6 – Sergio Vasconcelos
Trofologia 1, 2, 3 , 4
4 vídeos
A relação entre homem, animais e comida é o tema abordado na série de vídeos de Sergio Vasconcelos aqui presentada. Trofologia, palavra que deriva grego, significa “sabedoria da nutrição”, ou algo como “saber comer”. Uma ciência que busca transmitir a consciência de necessidade de uma alimentação balanceada para uma boa saúde do corpo. Nos vídeos, seres humanos compartilham com outros animais que fazem parte da cadeia alimentar do homem; frutas, vegetais, folhas, flores e insetos.




7 – Jorge Furtado
“Ilha das Flores”, curta metragem, 10min
Exibição em dias e horas específicos, durante programação paralela.
Um dos mais celebrados curta-metragem dos anos 1990, “Ilha das Flores” ganhou inúmeros prêmios em festivais brasileiros e internacionais. No período foi amplamente difundido, além dos vários festivais de cinema, em escolas e universidades, e inclusive na TV. A singularidade da narrativa didática e a linguagem sarcástica e direta com que o diretor Jorge Furtado aborda o tema da fome e o desperdício de alimentos tornaram o filme em um símbolo de conscientização das diferenças sociais em que vivemos no país.
Os chefs – Workshops e atividades
Workshops e atividades
As atividades possuem um valor simbólico de 10 reais que será revertido para a ong Gastromotiva e as inscrições serão feitas pelo site www.foodpass.com.br
1) “Celebração ao não desperdício” da chef Mariú Moya Billorian e do artista Gustavo Godoy
“Celebração ao não desperdício” é uma ação interativa que reflete sobre a condição do homem moderno, marcada por excessos, proporcionada por uma sociedade de consumo, onde alguns tem muito e outros nada. Através de um workshop sobre confeitaria, arte e ativismo. O público é convidado a a produzir e a compartilhar bolos e doces, feito com restos de alimentos.
Data: 12/06, 16 horas
Duração: 2-4 horas
Público: familia (a partir de 5 com pais)
2) “Pic Nic Mutante” com a chef Claudia Mattos
Inspirada na obra “Mutatoes” do artista Uli Westphal, com frutas e vegetais que não estão dentro dos padrões de beleza comerciais, a Chef Claudia Mattos sugere uma atividade de conhecimento e vivência da biodiversidade brasileira através de uma “Aventura do Gosto”, e experimentações lúdicas. A atividade proporciona uma verdadeira imersão sensorial. O público é convidado a vivenciar, explorar e ter contato com alimentos in natura e suas ricas versatilidades.
Data: 19/06 (a confirmar) – 16 horas
Duração: 2-4 horas
Público: familia (a partir de 5 com pais)
Confira programação em facebook.com/brazimage/
3) “Um Mundo” com a chef Bia Goll
Fermentar, conservar, cuidar. Existe um caminho gostoso e nutritivo para os alimentos que não é o desperdício. Em resposta as obras do artista austríaco Klaus Pichler, que retrata diversos alimentos em decomposição, a Chef e artista Bia Goll irá criar uma experiência participativa, por um caminho poético da terra até o nosso prato. Bia é pesquisadora dos alimentos orgânicos, PANCs, e sobretudo agricultura sustentável.
Workshop sobre métodos de fermentação e conservas
Data: 25/06 – 16hs
Duração: 2-4 horas
Público: maiores de 12 anos
4) “Indianização” com o chef Leo Botto
Seguindo o diálogo com o antropólogo Eduardo Viveiro de Castro, que nos sugere uma “indianização” – comer aquilo que conseguimos produzir nós mesmos com os alimentos que a terra produz regionalmente, Leo Botto propõe um workshop interativo onde a temática engloba o resgate do fogo como um elemento ancestral de conservação dos alimentos e vital para a evolução da espécie humana.
Workshop sobre como conservar alimentos com uso do “moqueado”
Data: 18/06 – 16 horas
Duração: 2-4 horas
Público: Adultos
5) “A definir” com Paloma Zaragoza
6) Conversa na casa do saber
Uma conversa sobre “Arte, Alimento e Ativismo” com participação de Rodrigo Braga, Tainá Guedes e Uli Westphal. Com mediação de Celso Loducca.
O encontro, uma parceria entre a Casa do Saber e a Brazimage, discute as questões presentes na mostra Vestígios, e como essa relação reverbera na arte.
Data: 01/06 das 19 às 20 horas
Local: Casa do Saber
Rua Dr. Mário Ferraz, 414
Vestígios – Concepcão
Luciana Farias é fundadora e diretora artística da Brazimage. Foi curadora da intervenção do artista Jean Paul Ganem no Jardim Botânico de São Paulo (2013), e é uma das idealizadoras do site specific realizado no prédio histórico dos Correios em São Paulo (2010-2012), que teve a participação dos fotógrafos Cassio Vasconcellos e Claudia Andujar.
Curadoria
Tainá Guedes, brasileira, vive e trabalha em Berlim, é artista, curadora, autora de livro e formada Chef de cozinha. Fundadora da Entretempo Kitchen Gallery e Berlin Food Art Week. Trabalha em diferentes projetos sobre a forma como concebemos comida em um contexto cultural e social. Arte torna-se uma extensão da cozinha. E comida serve de base para expressar e compartilhar pensamentos e ideias.
Curador convidado
Daniel Rangel é curador e gestor cultural. Atual diretor artístico e curador do ICCo – Instituto de Cultura Contemporânea, sediado em São Paulo e membro do IBA – International Biennial Association. Foi um dos curadores da 17ª Bienal de Cerveira (Portugal), da II Trienal de Luanda (Angola), da 6ª Bienal de São Tomé e Príncipe e da 8ª Bienal Internacional de Curitiba(2015). E também das exposições mais recentemente de Ana Maria Tavares, Rodrigo Braga e Arnaldo Antunes, esta última ganhadora do prêmio APCA 2015 de melhor exposição de obras gráficas.
Realização: Brazímage – agência de criatividade e cultura, desenvolve e realiza projetos artísticos e multidisciplinares com o propósito de conectar pessoas, instituições e marcas. Exposições, intervenções urbanas, livros, instalações, tornam-se meios para ativar pessoas, gerando impacto e transformando a realidade.
AS INFORMAÇÕES DA AGENDA SÃO DE RESPONSABILIDADE DOS MUSEUS, GALERIAS E ASSESSORIAS E NÃO REPRESENTAM A OPINIÃO DA DASARTES.
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