Um dos maiores precursores na criação de obras de arte que utilizam códigos computacionais como matéria prima para desenvolver projetos únicos de arte digital, o artista-programador Vamoss inaugura dia 16 de agosto, no Sesc Tijuca, a exposição Arte de Código Aberto. Na mostra, o público poderá interagir e alterar algumas obras criadas por ele, e dessa forma, ter a oportunidade de compreender como funcionam os programas que influenciam a nossa maneira de viver.
“Esses programas estão nos celulares, nas máquinas hospitalares, nos carros, nas casas, em toda parte do mundo e de nossas vidas. Para se pensar as ferramentas que queremos amanhã, primeiro é preciso entender como essas ferramentas funcionam”, diz Vamoss.
Segundo ele, nesta exposição, a possibilidade de aprendizado de programação é beneficiada pela experimentação, expressividade e visão crítica durante a prática criativa.
Para entender o processo criativo de Vamoss, é preciso compreender o que é Arte Feita em Código. Trata-se do resultado da experimentação programando computadores com a intenção de se expressar. O artista-programador traduz em imagens as formas e ideias algorítmicas que surgem aleatoriamente em seu pensamento. A partir de um conceito abstrato, ele traduz em códigos os procedimentos necessários para sua modelagem e se deixa permear pelas descobertas que surgem durante o processo experimental. É uma cooperação entre código e criatividade, determinismo e imprevisibilidade, ordem e caos. Uma dança do artista com o computador. “Admiro o quão dinâmicas, inteligentes, artísticas e interativas as obras de arte computacionais podem ser”, diz ele.
Já a Arte de Código Aberto possibilita que o público não apenas veja as imagens elaboradas pelo artista, como também altere o código utilizado para produzir estas imagens.
O código aberto (open source) altera as formas de se relacionar com o trabalho de arte ao possibilitar que outras pessoas criem variações do trabalho original, difundindo a arte feita em código dentro do paradigma da colaboração. “Criar um trabalho de arte nesse contexto é estar aberto a uma vida própria do trabalho, que estará em contato com uma comunidade ávida por estudá-lo e alterá-lo”, diz Vamos.
Na exposição Arte de Código Aberto as obras ficarão expostas em diferentes suportes, entre impressas, generativas e três delas interativas, ou seja, preparadas para receber as intervenções do público.
“Se na natureza as formas de vida se adaptam ao ambiente, num trabalho de arte de código aberto a vida se dá através de um diálogo com as pessoas que irão olhar, comentar, curtir, compartilhar, usar, brincar, copiar ou mesmo alterar tal trabalho e, assim, difundindo-o nas redes. Sugiro que os visitantes pensem como uma criança ao alterar o código sem medo de quebrar o programa”, afirma o artista.

