Una(S)+ | Centro Cultural Oi Futuro

Patricia Ackerman_Dia 241_Fotografia2

O Oi Futuro apresenta a exposição Una(S)+, de 13 de janeiro a 28 de março de 2021, com cerca de 80 obras de 15 artistas mulheres da Argentina e do Brasil reunidas pela curadora Maria Arlete Gonçalves, e que ocuparão todo o prédio do Centro Cultural no Flamengo, Rio de Janeiro, do térreo ao último andar, passando pelas galerias, escadas e elevador. A mostra, que inaugura a programação do Oi Futuro em 2021, segue todos os protocolos de segurança sanitária previstos pelos órgãos responsáveis. As visitas devem ser agendadas por meio do site https://oifuturo.org.br/reaberturacentrocultural/ ou por telefone: (21) 3131-3060. A mostra tem o apoio do Governo do Estado do Rio, Secretaria de Estado de Cultura e Economia do Rio e Lei Estadual de Incentivo à Cultura.

“’Una(S)+’ é a exposição ideal para abrir a programação 2021 do Oi Futuro, já que nasce de três elementos que são fundamentais no momento que estamos vivendo: coletividade, diversidade e diálogo. É uma grande coletiva que fortalece o feminino no mundo das artes visuais e não deixa de ser simbólico, nesse tempo de fronteiras fechadas, fortalecer a troca entre artistas de países diferentes”, diz Roberto Guimarães, gerente executivo do Cultura do Oi Futuro.

Ileana Hocjmann, Caja de acrílico – Foto: Patrícia Ackerman

A exposição traz dois momentos dos trabalhos das artistas: os selecionados por serem emblemáticos de suas trajetórias e os criados durante o confinamento em suas casas, em que não dispunham da estrutura do ateliê e nesta condição “ampliaram seus campos de trabalho e ousaram lançar mão de novas linguagens, materiais, tecnologias e redes para romper o isolamento e avançar por territórios tão pessoais quanto universais: a casa, o corpo e o profundo feminino”, explica Maria Arlete Gonçalves. “São obras de artistas de gerações distintas e diferentes vozes, a romperem as fronteiras geográficas, físicas, temporais e afetivas para somar potências em uma grande e inédita ocupação feminina latino-americana”, assinala a curadora. Prevista inicialmente para maio de 2020, e adiada duas vezes por conta do coronavírus, a exposição “ganhou um caráter mais amplo, ao incorporar o estado quarentena da arte”.

Maria Arlete complementa: “Poderíamos classificá-la como antes e durante a pandemia, AP e DP, não fosse este um tempo de suspensão, onde tudo se encontra em um eterno agora”. “A exposição é o desdobramento expandido da mostra de mesmo nome realizada em 2019 em Buenos Aires pela artista portenha/carioca Ileana Hochmann, a partir de sua instalação “Fiz das Tripas, Corazón”.

Ileana+Vestido_detalhe | Foto: Eugenia Baro

As artistas que integram a exposição são, da Argentina: Fabiana Larrea (Puerto Tirol, Chaco), Ileana Hochmann (Buenos Aires), Marisol San Jorge (Córdoba), Milagro Torreblanca (Santiago do Chile, radicada em Buenos Aires), Patricia Ackerman (Buenos Aires), Silvia Hilário (Buenos Aires); do Brasil: Ana Carolina Albernaz (Rio de Janeiro), Bete Bullara (São Paulo, radicada no Rio), Bia Junqueira (Rio de Janeiro), Carmen Luz (Rio de Janeiro), Denise Cathilina(Rio de Janeiro), Evany Cardoso (vive no Rio de Janeiro), Nina Alexandrisky(Rio de Janeiro), Regina de Paula (Curitiba; radicada no Rio de Janeiro) e Tina Velho (Rio de Janeiro).

Maria Arlete Gonçalves destaca que esta exposição “não trata apenas de mostrar obras de mulheres, mas de afirmar na força desse conjunto a potência feminina na arte contemporânea”. “Ao longo dos séculos houve um apagamento da mulher na arte, e agora não estamos mais no tempo de pedir licença, de reivindicar, mas de afirmar algo que já é. As mulheres nunca produziram tanto! Durante a pandemia, a mulher se aproximou mais ainda da tecnologia, se apropriou das ferramentas, novas linguagens”, afirma. A curadora diz que buscou a “interseção do feminino dentro do trabalho dessas artísticas”. “Faltam mais referências femininas na história da arte, e a mostra busca preencher lacunas”, diz. “Una em espanhol é alguma, aquela uma, e também nos dá a ideia de unir, juntar”.

FIZ DAS TRIPAS, CORAZÓN

Ileana Hochmann_tríptico Fiz das tripas corazón_Foto Patricia Ackerman

Em 2019, a artista portenha/carioca Ileana Hochmann, a partir de sua instalação “Fiz das Tripas, Corazón”, em Buenos Aires, convidou artistas contemporâneas da Argentina e do Brasil, baseadas no Rio de Janeiro. “A repercussão, o diálogo e a integração geradas pelas obras de mulheres em Buenos Aires e Rio de Janeiro, duas cidades próximas, hermanas, mas ainda distantes em matéria de trocas artísticas contemporâneas, despertou nas próprias participantes e nas redes sociais a pergunta ‘quando a mostra irá para o Brasil?’”, lembra Maria Arlete Gonçalves. “Não há conexão entre os circuitos de arte do Brasil e da Argentina, e entre Brasil e o restante da América Latina. A exposição busca colaborar com este diálogo e consolidar no Rio a outra ponta da ponte artística, lançada em Buenos Aires, entre os dois países”.

A curadora destaca que acompanha o trabalho de Ileana Hochmann desde os anos 1970. Nascida em Buenos Aires, a artista veio com a família para o Rio na infância, e na adolescência cursou a Escola Nacional das Belas Artes e teve aulas de desenho com Ivan Serpa e de gravura com Eduardo Sued, no MAM, elegendo a serigrafia como seu meio de expressão, criando novas abordagens e suportes, como acetatos industriais e materiais naturais e orgânicos, saindo da superfície plana para a tridimensionalidade. Nos 1990 deu aulas na EAV Parque Lage sobre serigrafia em vários tipos de matrizes. Mudou-se para Buenos Aires em 2001, mas manteve as conexões com o circuito da arte carioca.

Compartilhar: