Trompe-l'oeil

O título da nova exposição do artista plástico carioca Rodrigo Torres já sugere a experiência que as obras irão provocar no público. Trompe-l’oeil entra em cartaz no dia 09 de maio na SIM Galeria, em Curitiba (PR), e reúne cerca de 30 obras que propõem dar início a construção de lugares fictícios através da manipulação de objetos do cotidiano. A ideia da mostra não é narrar uma história, mas apenas sugerir uma narrativa, a criação de um possível lugar a partir de diferentes objetos.

“Tipo esses filmes ‘baseado em fatos reais’, ou mesmo a ideia que temos de antigas civilizações a partir de achados arqueológicos. Por exemplo, apenas recentemente conseguimos visualizar as estátuas gregas como elas eram originalmente, ou seja, coloridas. Uma Grécia antiga repletas de estátuas branquinhas é uma ficção baseada nos fatos que conhecemos”, explica Rodrigo Torres. “Entretanto, nessa exposição eu não estou contando uma história, apenas sugerindo uma narrativa. Essa é a minha guia, num sentido mais espiritual talvez, que atravessa minhas exposições”, detalha.

Trompe-l’oeil gira em torno dessa antiga técnica artística de pintura, que ao ‘pé da letra’ significa engana o olho. Essa técnica cria uma ilusão óptica para apresentar formas que não existem de verdade, por meio de truques de perspectiva. Na exposição, objetos do cotidiano como vassoura, balde, extensão elétrica e até mesmo uma caixa de fósforo, que não costumam ser dignos de muita atenção, formam a base do pensamento das obras assinadas por Rodrigo Torres.

“Os objetos em questão, não demandam olhares atentos. Dificilmente alguém vai se dar ao trabalho de olhar atentamente, por um minuto, para uma vassoura. Nós percebemos que ela está ali, que cumpre sua função e isso basta”, avalia o artista, cuja formação é em pintura e o interesse inicial pela Arte teve como foco os pintores.

“Por vezes pode não parecer, mas a minha linha de pensamento está enraizada na pintura e no desenho. Nessa exposição isso fica ainda mais claro. Eu me apoiei em alguns pilares da história da pintura, como a técnica trompe-l’oeil, natureza-morta e paisagem. Para além da técnica, eu vou buscar ocupar a Galeria com vestígios de um lugar em construção e ao mesmo tempo passar uma sensação de abandono”, informa Rodrigo Torres.

Quase todas as obras da exposição foram criadas em 2015, e apenas uma delas, no ano 2014. Uma das obras se chama Esquecidos, onde o artista cria relações de invisibilidade ao trabalhar com giz pastel e lápis de cor sobre placas de vidro jateado.

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