Transmutação | Galeria São Paulo Flutuante

Obras que integram a nova mostra da Galeria São Paulo Flutuante | FOTO: Romulo Fialdini

“Transmutação”. Este é o nome da exposição que reúne cerca de 100 obras de cinco ceramistas que ocupará a Galeria São Paulo Flutuante a partir de 18 de setembro. Inaugurado na Barra Funda em 27 de fevereiro deste ano com a mostra “O Templo do Cachorro Azul”, o espaço, que pertence à marchande Regina Boni e a seu sócio, o artista Manu Maltez, acolherá trabalhos representativos das trajetórias e dos estilos dos artistas que integram a mostra, os quais foram escolhidos, como diz Regina, “a quatro olhos”. Ela e Maltez assinam a curadoria do conjunto de peças assinadas por Shoko Suzuki, Megumi Yuasa, Ivone Shirahata, Rafael Kenji e Nadia Saad, nomes que ela considera os mais importantes da atualidade nessa modalidade de expressão artística.

Em relação à escolha da cerâmica como protagonista, Regina diz ser fã, ela própria,“dessa arte da terra, desse trabalho e desse conteúdo que têm o silêncio entre suas qualidades”. Enquanto marchande, conta que a cerâmica tem mercado e valor. “No contexto das artes plásticas, há um importante papel para essa forma de expressão de estética fina e subjetiva cuja produção é lenta e pequena e os artistas atravessam as horas trabalhando o intimismo”, afirma.

Maltez endossa as palavras de Regina e complementa: “A produção de cerâmica tem crescido muito, notadamente com a chegada da pandemia, cujo período de confinamento inicial propiciou que as pessoas buscassem um contato mais estreito com a natureza, com o barro, direcionando seu tempo e criatividade para o exercício dessa arte e permitindo esse reencontro com a terra”.

Quanto aos nomes reunidos, Regina destaca o de Shoko Suzuki, que será a ceramista homenageada pela exposição e terá quatro peças expostas que foram cedidas por colecionadores, mas que não estarão à venda. Sobre ela, Regina conta que, ao migrar do Japão para o Brasil no começo dos anos 1960, trouxe do país asiático técnicas seculares de queima do barro. Práticas que consagraram a artista no cenário das artes plásticas e que ela transmitiu, também, a uma de suas discípulas, Ivone Shirahata, que integra a exposição.

Esse inter-relacionamento entre os cinco expositores também é uma das características da mostra. Além do vínculo entre Shoko e Ivone, o artista Megumi Yuasa também dá aulas no ateliê de Nadia Saad e de Ivone, conta Maltez. “Todos eles têm um fazer em comum, sobretudo por conta dos fornos presentes nos ateliês”, explica.

Em relação à escolha da palavra ‘transmutação” para a mostra que ficará em cartaz até meados de novembro, Maltez diz que a ideia foi de Yuasa. De acordo com esse experiente escultor e ceramista, muito além das definições encontradas no dicionário que remetem à mudança de elementos químicos e núcleo molecular em outros, o termo também tem o significado de transmutar dimensões, tornando um local atemporal no espaço do cotidiano. “No caso da cerâmica, existe uma transmutação de rochas cristalinas em argila por meio do tempo e consequente decomposição do material. A terra, que é argila, transfigura-se ao longo da história da civilização e da cultura do homem em outros materiais, inclusive em fontes de energia. São essas transmutações que permeiam todo o processo do fazer cerâmica”, afirma.

Para Regina, o nome escolhido remete não somente s à transformação do barro em arte, mas, também, ao tempo em que tudo se acomoda, às mudanças da própria da vida e também ao seu próprio recomeço neste novo espaço na Barra Funda.

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