Trabalhadores Ilustrados – Sesc Santo Amaro

O Sesc São Paulo inaugura em 21 de novembro, na unidade Santo Amaro, a exposição inédita Trabalhadores Ilustrados. Com curadoria de Chico Homem de Melo, a mostra reúne ilustrações, em sua maioria, da produção literária brasileira de meados do século XX, nas quais as personagens têm suas trajetórias de algum modo relacionadas a seus trabalhos.

A exposição, que teve sua abertura adiada devido às restrições impostas pela pandemia de Covid-19, agora pode ser visitada gratuitamente pelo público de terça a sexta, das 15h às 21h, e aos sábados, das 10h às 14h, mediante agendamento prévio pelo site sescsp.org.br/santoamaro.  As visitas têm duração máxima de setenta minutos e o uso de máscara facial é obrigatório para todas as pessoas, durante todo o período.

O trabalho ocupa um espaço na vida das pessoas que, por vezes, se confunde com a própria noção de identidade. A partir desta premissa, a exposição aborda o universo das atividades laborais no Brasil do século XX por meio de uma seleção de ilustrações de livros, discos, jornais e revistas.

Segundo o curador, a “variedade de ofícios e de grafismos constitui a principal característica do conjunto. As imagens são sedutoras. Elas vêm da literatura, do jornalismo, de ensaios históricos, geográficos e sociológicos, e oferecem um panorama diversificado do mundo do trabalho no Brasil do século XX”, diz.

Na mostra, as obras estão distribuídas em mais de 20 painéis e vitrines que apresentam diversos tipos de trabalhadores, como pescadores, trabalhadores do campo e da cidade, artistas, professores, escritores e outros. No painel direcionado ao ofício dos músicos, a capa de uma edição da revista O Cruzeiro, de 1930, retrata a relação destes trabalhadores com seus instrumentos a partir de um grafismo que ressalta a ideia de movimento.

O painel dedicado às mulheres relembra o caminho percorrido por elas para se legitimar no mercado de trabalho. Por anos a fio o trabalho doméstico foi a principal ocupação de mulheres de classe média. “Trabalhar fora” era um estigma até, durante a década de 1950, ter início um processo consistente de profissionalização das mulheres. Ideia nítida na ilustração de Carybé, na qual, segundo Homem de Melo, “parece ser uma mulher negra, rompendo uma barreira de preconceito em torno da presença de afrodescendentes em ocupações de maior prestígio”, explica.

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