Tom Burr | EAV Parque Lage

A Escola de Artes Visuais do Parque Lage recebe nas cavalariças a individual Hélio-Centricidades: Coda, do artista conceitual norte-americano Tom Burr, organizada em colaboração com o espaço cultural Auroras, de SP.

Na ocasião de sua primeira exposição no Rio, Burr – que vive e trabalha em Nova York – apresentará um grupo de trabalhos produzidos durante sua estadia em São Paulo, em abril deste ano, além de duas obras criadas exclusivamente para a mostra no Parque Lage.

O artista é conhecido por fundir formas de minimalismo com certas condições da história recente de Nova York, especificamente a guerra contra a sexualidade pública durante a crise da Aids. Suas obras são, em parte, formadas por esculturas, com espaços arquitetônicos fechados como barras, gaiolas e caixas. Estas obras, muitas vezes pintadas com uma paleta preta fosca, evocam espaços de controle e contenção, bem como as “zonas seguras” de culturas alternativas.

Ao longo dos últimos 30 anos, o artista tem investigado a relação de seu próprio corpo com determinados locais, legados de personas históricas e formas de abstração. Baseando-se em dois elementos paralelos – os Metaesquemas, de Hélio Oiticica, e a casa modernista ocupada pelas Auroras, em SP (ambos do ano de 1957) – Tom estabelece relações entre uma “vontade construtiva” das formulações da nova objetividade e algo da experiência minimalista e conceitual estadunidense.

A trajetória do artista é marcada pelo uso de referências a figuras queer. Nesse caso, Burr elegeu Oiticica como personagem central para refletir sua própria subjetividade. “Eu estava curioso para pensar onde Oiticica termina e eu começo, ou onde eu termino e ele começa”, declara.

“Tom Burr vem desenvolvendo uma pesquisa de muita importância, que reinscreve questões canônicas na História da Arte, sobretudo da escultura, do minimalismo e da arte conceitual norte-americana, reinterpretando essas questões à luz de figuras queer e pensando objetos (como roupas, por exemplo), a partir de uma zona de intimidade que cria uma ponte entre o corpo e o mundo. Institucionalmente, este projeto reafirma uma vontade pedagógica da EAV de reler certas questões hegemônicas acerca do que é a arte”, comenta Ulisses Carrilho, curador da EAV Parque Lage.

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