Todos os Rios: Identidades LGBTQIA+ no Acervo da Pinacoteca de São Paulo | Museu da Diversidade Sexual

Créditos: Museu da Diversidade Sexual

O Museu da Diversidade Sexual (MDS), inaugura, no dia 30 de janeiro, a exposição Todos os Rios: Identidades LGBTQIA+ no Acervo da Pinacoteca de São Paulo, uma parceria inédita com a Pinacoteca que propõe um novo olhar sobre a história da arte brasileira a partir das vivências, corpos e narrativas LGBTQIA+. Ambas as instituições são parte Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo.

A exposição, que fica em cartaz até o dia 2 de agosto, marca um momento simbólico na trajetória das duas instituições ao apresentar um recorte da coleção da Pinacoteca, fundada em 1905 e uma das mais importantes do país, sob a perspectiva de artistas LGBTQIA+ que a integram. A iniciativa evidencia como essas identidades sempre estiveram presentes na produção artística brasileira, ainda que muitas vezes à margem dos discursos oficiais, e reforça o papel dos museus como espaços vivos de reflexão, memória e transformação social.

Reunindo fotografias, vídeos, pinturas e esculturas, a mostra atravessa diferentes períodos históricos e contextos sociais, conectando produções realizadas sob a repressão da ditadura civil-militar, os impactos da epidemia de HIV/AIDS nos anos 1980 e obras contemporâneas que tensionam noções de gênero, corpo e representação. As obras dialogam com gêneros clássicos da história da arte, como o retrato, o autorretrato e a natureza-morta, propondo leituras dissidentes e atualizadas.

A curadoria organiza a exposição em quatro núcleos. Dois deles se concentram na imaginação artística e na mobilização do próprio corpo como linguagem estética, enquanto os outros dois abordam a história social e os contextos de luta, resistência e afirmação da comunidade LGBTQIA+ no Brasil. O título da mostra é inspirado na obra Todos os rios, de Leonilson, artista da arte contemporânea brasileira cuja produção dialoga com temas de identidade e subjetividade, e funciona como metáfora da confluência entre diferentes tempos, poéticas e experiências que atravessam a exposição.

Emília Paiva, diretora do Museu da Diversidade Sexual, afirma que a exposição nasce do desejo de criar pontes entre histórias, instituições e pessoas. “A parceria com a Pinacoteca fortalece um espaço de encontro onde as experiências LGBTQIA+ podem ser reconhecidas como parte viva da cultura e da história da arte no Brasil. Ao mesmo tempo, a mostra convida o público a refletir sobre memória, visibilidade e pertencimento, reafirmando o papel dos museus como agentes de diálogo, escuta e construção coletiva”, explica.

“Para a Pinacoteca, esta é uma oportunidade singular de pesquisar o acervo e estabelecer novas relações entre os trabalhos de artistas LGBTQIA+ que o compõem, incluindo algumas obras exibidas pela primeira vez desde sua incorporação à instituição. A mostra também permite projetar esse recorte da coleção para além dos edifícios do museu, alcançando novos públicos e fortalecendo o diálogo entre esses dois importantes equipamentos culturais da cidade”, afirma Thierry Freitas, curador da exposição.

A programação inclui visitas mediadas que aprofundam os debates propostos pela mostra e ampliam o acesso do público às discussões sobre arte, diversidade e memória. As mediações são gratuitas, não exigem agendamento prévio e acontecem de terça a sexta-feira, às 16h, e aos sábados e feriados, às 11h e às 16h.

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