Tinho | Paço Imperial

Um dos precursores do grafite no Brasil e um dos principais nomes da arte urbana na América Latina, o paulistano Walter Tada Nomura, o Tinho, abrirá exposição no Paço Imperial, no próximo dia 28 de novembro, às 18h. Com curadoria de Saulo Di Tarso, a individual “Os 7 Mares” reunirá 16 trabalhos (15 pinturas e uma instalação) de duas séries complementares do artista, que tem obras espalhadas por muros e paredes de inúmeras cidades mundo afora. A mostra, que ficará em cartaz no Rio até fevereiro de 2020, reafirma o salto formal da streel art na cena da arte contemporânea.

Tinho vive e produz em São Paulo, apontada como a capital mundial do grafite. Foi aos 12 anos de idade, quando já trabalhava como office-boy no centro da cidade, que o artista visual escreveu pela primeira vez seu nome na rua. É aí que também se inscreve a relação precoce com temáticas urbanas, como a violência e o abandono. O cotidiano vivido nas ruas da maior metrópole do país despertou a percepção do menino para a crueldade e a beleza, e revelou para o mundo o artista que elegeu a street art como poética de resistência.

A partir da década de 80, sua trajetória percorre alguns dos principais movimentos urbanos no Brasil, como o skate, a pichação, o punk e o hip hop. Essa vivência norteia a identidade artística de Tinho e segue presente ainda hoje em sua obra.

Com formação em Artes Visuais pela FAAP, o paulistano da Zona Norte já expôs em países como França, Inglaterra, Itália, Alemanha, Espanha, Rússia, China, Austrália, Tunísia, EUA e Cuba. Através do projeto ‘Reflexo on Urban Art’, foi convidado a pintar murais em Amsterdã e, em 2006, criou um painel preparativo de grandes dimensões para a Copa do Mundo na Alemanha.  Em 2012, conquistou o 2º lugar do prêmio PIPA e hoje integra a Coleção Pinacoteca do Estado de São Paulo.

“Tinho rompeu com regras e influências do grafite americano e passou a pintar mais livremente, experimentando novas técnicas, materiais e suportes; buscando uma estética autoral nas ruas de São Paulo. Por isso, passou a ser considerado o pai do freestyle no Brasil e um dos pioneiros da street art. Durante sua formação, aprendeu a conceituar seu trabalho, buscando um elo entre o que acontecia nas ruas e o que ocupava os espaços formais, os chamados cubos brancos”, afirma o curador Saulo Di Tarso.

A série que dá título à exposição teve início em 2012 e é composta por sete pinturas (em torno de 200 x 150cm, cada), que retratam o vasto repertório imagético do artista. As referências dos “Sete Mares” vão de livros, filmes e discos a shapes de skates e brinquedos, passando pela moda. São as profundezas por onde o inconsciente navega e, possivelmente, também naufraga diante dos excessos. Um oceano que evoca tudo aquilo a que Tinho recorreu como fonte. A série – que flui da figuração à abstração – convoca o espectador a se deixar levar pela correnteza e a identificar-se com ela.

“O processo de criação dos sete mares foi um mergulho intenso, uma visita às subjetividades que me constituíram, um processo de pesquisa racional e calculado a partir dos meus acervos íntimos e também de referências externas. Cada tela levou, em média, um ano pra ser produzida. Quando terminei, veio um sentimento de orfandade, uma experiência de abandono… A partir dessa vivência, surgiu a série complementar ‘Desdobramentos’ em que a abstração assume o espaço pictórico com maior protagonismo”, relata o artista.

Dois bonecos de pano, com três metros de altura cada, criados a partir de refugo de tecidos, também integram a mostra. Marca da obra de Tinho, os bonecos são como uma expansão do estilo gráfico do artista para o espaço tridimensional.

A ideia de pintar figuras infantis surgiu da necessidade de criar um personagem para ilustrar as ruas. Tinho começou pintando fotos de crianças desaparecidas, que logo ganharam a companhia dos bonecos de pano icônicos em sua obra, como forma de aplacar o desamparo. São artesanais e únicos, em oposição aos brinquedos industrializados. São frutos analógicos do início desse milênio, que ruma para uma vida cada vez mais digital, impessoal e urgente.

 

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