Theodor Preising | Pinacoteca Benedicto Calixto

Logo quando desembarcou em terras brasileiras, em dezembro de 1923, o fotógrafo alemão Theodor Preising, aos 40 anos de idade, se instalou no Guarujá, litoral sul de São Paulo, onde trabalhou no Grande Hotel onde comercializava álbuns, cartões postais e artigos fotográficos. Sua educação formal foi iniciada e concluída na Alemanha, onde manteve um estúdio em que realizava fotografias de eventos sociais e retratos. Foi no seu país que conquistou a excelência técnica e a maturidade profissional, que permitiram sua rápida inserção no comércio local e na atividade fotográfica.

Quase 100 anos após sua chegada, a Pinacoteca Benedicto Calixto, na praia do Boqueirão, em Santos recebe a exposição “Theodor Preising – Um Olhar Moderno, Santos” que estreia em 14 de agosto, produzida por Douglas Roberto Aptekmann, bisneto e detentor do acervo de Theodor Priesing com curadoria assinada por Rubens Fernandes Junior. A mostra reúne um expressivo conjunto de imagens da cidade litorânea, ao mesmo tempo em que mostra o vigoroso progresso da cidade, esta exposição busca reconhecer um olhar que vai além do simples registro e se aproxima das estratégias imagéticas da modernidade fotográfica. Quase nada escapou do seu olhar atento e diferenciado. Sua obra é referência para todos aqueles que pesquisam e são capazes de perceber a importância de sua fotografia, tanto do ponto de vista cultural, quanto do ponto de vista documental e da memória urbana.

“Em nenhum momento, ele vacilou em relação ao seu objetivo aqui no Brasil que, diferentemente de outros imigrantes, era aproveitar seu conhecimento e experiência para atuar como fotógrafo. Tanto é que sua inserção no mercado se deu através da comercialização de produtos fotográficos e cartões postais, iniciativas que asseguraram rapidamente seu reconhecido mérito na área”, comenta Rubens.

Após poucos meses de trabalho, ele se mudou para a cidade de São Paulo, um centro mais cosmopolita, a fim de concretizar o seu plano, ou seja, dar continuidade e ampliar suas atividades como fotógrafo profissional. Sem grandes conexões, Preising se instalou na capital paulista e deu início ao seu projeto, centrado na produção e distribuição de cartões postais, além de foto-reportagem.

Naquele momento, segunda metade da década de 1920, o cartão postal ainda era uma forma rápida, eficiente e moderna de circulação de imagens e pequenos textos. A fotografia tornou-se o paradigma da paisagem cultural da modernidade e o cartão postal, de extrema eficácia comunicativa, permitiu um impacto radical nas relações sócio-culturais. Persuasivo e sensível, o cartão postal deu à fotografia o crédito de instrumento essencial das novas necessidades de informação. Preising anteviu nessa possibilidade uma maneira de publicizar sua fotografia e se tornar conhecido. Para isso, precisou se assumir como empreendedor e criar alguns diferenciais que, vistos com os olhos de hoje, ainda são ousados e inovadores.

A exposição pode ser entendida através de quatro grupos temáticos – A viagem, a cidade, as praias e o porto – para melhor compreensão deste trabalho imagético, cuja função inicial era ser um simples cartão postal mas, hoje, tornou-se um documento visual imprescindível para a compreensão da evolução urbana e a memória da cidade.

Theodor Preising também demonstrava um especial interesse no espontâneo e imprevisível movimento urbano, e sabia captar na imagem, a vida anônima que circulava nas ruas e nas praias da cidade. Ele produziu uma memória visual com exatidão técnica e, paradoxalmente, carregada de subjetividade, o que justamente caracteriza um dos procedimentos da modernidade. Muito provavelmente, parte disso ele já tinha apreendido na sua formação inicial, centrada na técnica impecável e no apurado senso estético.

“Com a presente exposição, queremos destacar a presença de Theodor Preising na história da fotografia brasileira. Ao mesmo tempo, oferecer para a cidade de Santos uma leitura mais expandida de sua produção, contextualizando-a e aproximando-a sincronicamente das experiências da modernidade fotográfica. E, sem nenhuma dúvida, a cidade de Santos estava inserida dentro da perspectiva moderna da primeira metade do século XX”, finaliza Rubens Fernandes Junior.

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