Thelma Innecco | Casa França Brasil

Na exposição “Uns sobre os outros: História como corpo coletivo” o barro é usado para refletir a humanidade e também um ato de resistência. A mostra, que inaugura segunda-feira, dia 20, apresenta cerca de 20 obras inéditas da artista plástica Thelma Innecco organizadas em três ambientes, que refletem o ser humano em episódios da memória coletiva, tecendo comentários estéticos sobre as relações humanas, através de movimentos transversais ao tempo histórico. São esculturas em cerâmica de corpos múltiplos, os quais instalam manobras de questionamento sobre as relações humanas a partir das dessemelhanças. “Afetos calorosos – coletivos e individuais – comungam do espaço com corpos serializados, eximidos de particularidades. Tal associação nos aproxima uns dos outros, nos faz recordar memórias íntimas, resgatando em nós o sentido de uma humanidade em curso”, revela a crítica de arte Ana Emília Lobo, doutora em Arte e Cultura Contemporânea pela UERJ, que assina a curadoria da exposição.

Thelma Innecco conta que a primeira obra da série Uns Sobre os Outros foi “Empilhadinhos” e que seu significado representa bem a exposição como um todo. “A peça Empilhadinhos mostra múltiplos corpos, horizontais, empilhados uns sobre os outros e essa série reflete as desigualdades, fragilidades e desamparos humanos, expondo nossas próprias faltas, num tema aberto às diversas interpretações, já que correlatos em qualquer cidade do mundo. Um ato de resistência e de preservação de memória representado pela delicadeza das esculturas que arrebatam nossos afetos”, explica a artista.

“Uns sobre os outros: História como corpo coletivo” também apresenta um curta-metragem realizado em colaboração entre Thelma Innecco e a cineasta inglesa Caren Moy. Nessa obra, esculturas são postas em diálogo com documentos históricos, imagens de arquivo e relatos a fim de promover uma escavação das memórias de resistência. São reclamadas as histórias do Cais do Valongo e dos quilombos Pedra do Sal e Sacopã, dentre outros. “Em outra clave, são localizados na obra os movimentos contemporâneos globais, como o Black Lives Matter, em que a destituição de estátuas civilizatórias deu lugar a marchas vívidas de memória e humanidade. Em digressões sobre a cidade do Rio de Janeiro, a lógica das esculturas se torna inseparável da lógica do monumento. Celebrados como marcos civilizatórios, os atos bárbaros monumentalizados são lembrados apenas como contraponto ao uso dos espaços comuns” explica Ana Emília Lobo. “A exposição pressupõe uma dicotomia. Dispara uma reflexão sobre a serialização de corpos e subjetividades, mas também mostra o que dos outros nos habita”, complementa a curadora.

Em um terceiro espaço, o público é convidado à participação. Conduzidos por monitores, os visitantes poderão criar suas próprias esculturas humanas para integrar a mostra.

“Uns sobre os outros: História como corpo coletivo” fica ambientada na CASA FRANÇA BRASIL até 23 de janeiro de 2022. A exposição já esteve em Belo Horizonte no espaço Funarte MG em outubro deste ano.

“Uns sobre os outros: História como corpo coletivo” foi selecionada pelo Prêmio Funarte Artes Visuais 2020/2021 – O Diálogo entre o Patrimônio Histórico da cidade do Rio De Janeiro e o Brasileiro presente nas Artes Visuais, na Arquitetura e nos Espaços Urbanos.

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