Têxteis pré-colombianos | MASP

Registros de algumas das complexas culturas que floresceram na América do Sul antes da invasão dos europeus, tecidos do Comodato MASP Landmann ganham exposição de 14 de junho e 28 de julho, no segundo subsolo do museu. Comodato MASP Landmann – Têxteis pré-colombianos, mostra organizada pela arqueóloga e historiadora Marcia Arcuri, curadora-adjunta de arte pré-colombiana do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), reúne mais de uma centena de tecidos produzidos nos atuais Peru e Bolívia entre 800 a.C. e 1.532 d.C. A exposição abre ao público junto com a estreia, na Sala de Vídeo do museu, de La libertad [A liberdade, 29 min.], curta-metragem da franco-colombiana Laura Huertas Millán que focaliza a sobrevivência da milenar tradição andina da tecelagem e suas relações com a liberdade.

Recuperados em sua maioria das elaboradas sepulturas das elites governantes, em sítios arqueológicos das regiões mais áridas da costa pacífica dos Andes, os têxteis da mostra são atribuídos às culturas Chavin, Siguas, Paracas, Nasca, Moche, Huari, Lambayeque, Chimu, Chancay, Inca e Ica. Somados, formam um vasto conjunto de evidências da diversidade conceitual e tecnológica experimentada pelos povos pré-hispânicos.

“Por seu papel central nos Andes pré-colombianos, essa produção constitui uma fonte preciosa para acessar traços dos costumes cotidianos, da cultura e da organização sociopolítica das populações pré-colombianas”, diz a curadora Marcia Arcuri. Entre as temáticas da arte ameríndia, encontram-se sofisticadas concepções sobre o tempo, o espaço, a matemática, a astronomia, o cosmos, as origens da vida, a criação humana e a morte. “São categorias e princípios milenares, que se mantiveram vivos por meio da produção têxtil, cerâmica e metalúrgica. O estudo dessas obras é um caminho importante para conhecermos melhor nossos antepassados ameríndios. ”

O cruzamento de pesquisas científicas com relatos das comunidades indígenas que hoje habitam as serras andinas indica que a tecelagem foi um trabalho realizado sobretudo pelas mulheres. Responsáveis pelo desenvolvimento e pela transmissão de códigos e tradições há quase três mil anos, as tecelãs dos Andes pré-hispânicos alcançavam elevado status social nas hierarquias de poder político e religioso por seus trabalhos de finalidade ritual ou cotidiana. Por isso, segundo Arcuri, os tecidos são hoje os testemunhos ainda vivos de interessante história de gênero — além de conhecimento e técnica.

“Em um cenário nacional agravado pelo fatídico incêndio que destruiu integralmente a coleção pré-colombiana do Museu Nacional da UFRJ, os tecidos do comodato MASP Landmann vêm a público na esteira das ações de fortalecimento da ciência e da memória, tantas vezes silenciada, dos povos originários da América do Sul”, afirma a curadora. “Difundir o conhecimento materializado nesses objetos é uma forma de apoiar as populações indígenas que seguem lutando pelo direito de manter viva sua maneira de convívio com o ambiente e a sociedade moderna. ”

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