TATIANA BLASS | INSTITUTO TOMIE OHTAKE

Tatiana Blass, Contraluz #2, 2026, Pintura sobre vidro, 100 x 150 cm

Com curadoria de Ana Roman e Lahayda Mamani Poma, Contrarregra percorre diferentes momentos da produção da artista e suas investigações em torno da matéria, do espaço, da luz e do tempo.

O título da exposição faz referência à figura do contrarregra, responsável por organizar os bastidores e criar as condições para que a cena aconteça sem ocupar o centro do palco. A partir dessa ideia, a mostra aproxima a prática da artista à lógica teatral ao apresentar obras que deslocam a atenção do resultado para os processos que tornam a imagem possível. Embora tenha a pintura como ponto de partida, sua produção se expande para diferentes linguagens – como esculturas, instalações, vídeos e performances – e materiais, como vidro, bronze, cera, cerâmica, entre outros.

Entre os destaques da exposição estão um núcleo significativo de obras inéditas, desenvolvido especialmente para o Instituto Tomie Ohtake, e trabalhos de diferentes momentos da trajetória da artista. As novas pinturas da série Contraluz, realizadas sobre vidro, incorporam a arquitetura, a incidência da luz e o deslocamento do visitante à própria imagem, enquanto obras das séries Metade da fala no chão, Quebra-quebra, , Noite-dia e Contrarregra evidenciam o diálogo que a artista propõe entre pintura, escultura, som e palavra.

A transformação da matéria ocupa um lugar central na mostra. Em diferentes trabalhos, materiais como cera, vidro, bronze e cerâmica permanecem em constante estado de mudança, incorporando o tempo como parte da própria obra. Em vez de apresentar formas definitivas, Tatiana Blass cria trabalhos que se alteram pela ação da luz, do calor, da gravidade ou da presença do público, fazendo da transformação um elemento constitutivo da experiência expositiva.

Desenvolvida em diálogo com a artista, a expografia transforma as salas expositivas em um espaço de encenação. A montagem incorpora dois palcos, que passam a integrar o percurso do público e estabelecem relações diretas com as obras. Mais do que elementos cenográficos, esses dispositivos evidenciam a ideia de bastidor que atravessa toda a exposição.

A mostra traz ainda obras inéditas que resultam do encontro entre Tatiana Blass e o músico Kiko Dinucci. A partir de pinturas recentes da artista, os dois iniciaram um diálogo que resultou na capa do novo álbum do compositor e, posteriormente, em uma série de trabalhos desenvolvidos especialmente para a exposição. Como afirmam as curadoras, “As pinturas apresentadas em Contrarregra respondem diretamente a esse convite, estabelecendo um diálogo entre música e imagem sem buscar traduzir literalmente suas letras. Em vez disso, prolongam visualmente a atmosfera das composições, fazendo da exposição um espaço no qual pintura, palavra e música passam a compartilhar uma construção dramatúrgica”. Como desdobramento desse encontro, Kiko Dinucci apresentará, no dia 3 de outubro, um pocket show em um palco montado no interior da exposição.

A relação entre artes visuais e artes da cena também se desdobra na programação pública da mostra. As ações integram a concepção curatorial e reforçam o interesse da artista pelas relações entre pintura, corpo, som, palavra e duração. Como afirmam as curadoras, “Contrarregra desloca a atenção daquilo que se apresenta como acontecimento para as condições que o tornam possível, fazendo do tempo de espera, da transformação e da latência o próprio lugar da experiência”.

Contrarregra é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), e do Instituto Tomie Ohtake. A mostra conta com o patrocínio do mantenedor institucional Nubank e o apoio da Galeria Albuquerque Contemporânea.

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