Tales Frey | Verve Galeria

Tales Frey, Reverso, 2015

A Verve Galeria inaugura em Março a exposição “O que pode um corpo?”, de Tales Frey, primeira exposição online pensada exclusivamente para a plataforma SP–Arte 365. Em resposta aos desafios do atual contexto da pandemia, que levaram as galerias a adotar modelos híbridos de operação ao longo do último ano, a Verve, primeira galeria a representar o artista no Brasil, apresenta uma exposição que percorre os últimos dez anos de produção do artista, acompanhados por texto crítico da curadora Pollyana Quintella, também desenvolvido especialmente para o
ambiente online. A pesquisa de Tales – que aborda questões da coletividade e do indivíduo e a importância dos encontros afetivos entre as diferenças, instigando convívios mais harmônicos entre distintas singularidades – é particularmente sensível à situação atual e tudo aquilo que nos falta neste momento de confinamento.

O corpo é o pivô nas concepções artísticas de Tales Frey: recorrentemente, por meio do tecido externo da própria pele, ou de outro material colocado sobre ela, o artista analisa códigos existentes entre o coletivo, o indivíduo e o indumento, propondo novas versões e também subversões no anseio de oferecer um posicionamento crítico e político a quem acessa o conteúdo de cada uma de suas criações artísticas. Tales recorre muitas vezes aos referentes binários mais corriqueiros (corpos e vestuários tidos por masculinos ou femininos) e a códigos sociais cisheteronormativos, que são apresentados de maneira reposicionada. Dessa forma Tales Frey procura desafiar, tanto nas proposições visuais como nas soluções verbais relacionadas a cada obra, a lógica tida por ideal num sistema cisheterocentrado.

Em um período de polarização de posições políticas e morais, o trabalho de Tales Frey apresenta-se como um ponto de inflexão, instigando a reflexão acerca da importância do encontro com o outro, com o diverso e a potência da coletividade e seus afetos. Nas palavras de Pollyana Quintella, o artista “tem explorado o conceito de indumento ao configurar dispositivos que funcionam como uma pele que conecta um corpo ao outro. São peças que demandam que os participantes estabeleçam acordos diversos entre desejo e movimento, o que nos faz lembrar de certa tradição relacional da arte brasileira, interessada no binômio arte/vida. Interessa-me chamar essas obras de esculturas sociais, já que tencionam o individual e o coletivo; o pessoal e o político. Nessas operações, a relação eu-outro não é estável, mas intercambiável. Se não há consenso que reste, o trabalho pode ser o lugar de coexistência dos dissensos. Aliás, no Brasil de 2021, talvez seja esse o desafio mais latente para todos nós.”, conclui a curadora.

Tapete Vermelho #3, Tales Frey, 2019

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