Tales Frey | Galeria Verve

O que esse corpo reduzido a um código diz do nosso momento histórico? Da vida mediada há tanto tempo por telas? De relações sociais instrumentais? Não se trata do corpo como interioridade, ou experiência fenomenológica e de indeterminação. Talvez porque gênero e raça são experiências que, no fundo, são códigos usados para o controle do poder…
Leandro Muniz

A partir da desconstrução de padrões corpóreos tidos como referenciais convenientes na nossa cultura, o artista Tales Frey apresentará a exposição “Partilha de Ilusões”, com texto crítico de Leandro Muniz, na Galeria Verve em São Paulo. O artista – radicado em Portugal na cidade do Porto – apresentará a sua pesquisa visual centrada nas abordagens do corpo, das suas identidades e subjetivações.

Recentemente, Tales Frey apresentou a exposição “Academia Corpus” no Museu da República no Rio de Janeiro, onde expôs uma conjuntura de obras que, de algum modo faziam menção a uma academia feminina de ginástica e dança consolidada e dirigida pela mãe do artista entre o final dos anos de 1980 e começo dos anos de 1990 no interior de São Paulo. “Partilha de Ilusões” é uma continuidade dessa exposição já exibida e, a partir desse mote, tendo como base a decomposição das imagens que eram diariamente produzidas, assimiladas e confirmadas do contexto da academia de ginástica de sua mãe, Tales Frey tem criado uma conjuntura de obras apoiadas em variadas expressões artísticas (performance, objeto, vídeo, fotografia etc.) para subverter os estereótipos homem/mulher, homo/hétero, natural/artificial e, também, para apresentar as contradições relacionadas às noções contemporâneas de gênero e desejo numa ordenação cisheteronormativa.

Exploradas com humor ácido e através de cores vibrantes e texturas reluzentes que remetem ao design apelativo da propaganda utilizada por estabelecimentos comerciais (lojas, academias de ginástica, salões de beleza/estética etc.), as obras refletem criticamente sobre as institucionalizações de modelos específicos de corpos submissos aos padrões socialmente decretados como admissíveis/satisfatórios e, então, foi produzido um conjunto de reajustes efetuados a partir de estilhaços do que está incorporado na cultura hegemônica, onde os corpos foram convertidos em engenhocas cinéticas, em estruturas plásticas, colagens e arcabouços luminosos.

E é através da subversão irrestrita que a exposição “Partilha de Ilusões” busca afirmar o corpo como um permanente estado transitório que é sempre uma condição provisória de coleções complexas e instáveis de informações de si em relação direta com tudo que o circunda e, assim, a exposição estimula a emancipação dos corpos em prol da aceitação das suas singularidades em uma perspectiva de reconhecimento das diferenças em uma sociedade, fazendo recusa ao esquema fabril de existências.

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