Sobre os ombros de gigantes | Nara Roesler Nova York

André Griffo, O fim condizente com o começo 3, 2021

Nara Roesler Nova York orgulha-se em anunciar Sobre os ombros de gigantes, mostra coletiva com curadoria de Raphael Fonseca, um dos mais aclamados curadores emergentes de arte contemporânea, com abertura em 24 de junho de 2021.

Sobre os ombros de gigantes reúne artistas brasileiros de diferentes gerações, cujas produções investigam as relações e tensões presentes nas ideias de tempo e memória. A pluralidade do grupo de trabalhos apresentados, em diferentes linguagens e abordagens, permite uma visão ampliada sobre os temas, propondo uma diversidade
de interpretações estéticas e conceituais. A exposição introduz abordagens contemporâneas que, ainda que nos possibilitam compreender como narrativas familiares e ancestrais caminham lado a lado com figuras presentes na elaboração de memórias coletivas.

A mostra reúne um variado grupo de artistas, em sua maioria fora da cena artística brasileira dominante, e que não são representados pela galeria Nara Roesler. A seleção de obras abrange práticas artísticas que recuperam narrativas esquecidas, abordando temas como indigenismo, raça e desigualdade. Nara Roesler se orgulha de
promover a visibilidade de múltiplas vozes, trazendo à tona histórias significativas, tradicionalmente ausentes no debate brasileiro contemporâneo.

A exposição tem como premissa a máxima latina “nanos gigantum humeris insidentes”, que, em tradução para o português, gera a expressão que serve de título para a exposição. A frase, segundo o curador Raphael Fonseca, “aponta para o fato de que, para aprendermos algo no presente, precisamos nos colocar em diálogo com o passado e com os ‘gigantes’ que nos rodeiam.” Esses, por sua vez, são o enorme acervo que constitui nossa memória, ou tradição. Colocando-nos sobre seus ombros, conseguimos ter uma perspectiva ampliada sobre o que ficou para trás, assim como somos impelidos a moldar uma existência esclarecida e sensível dentro do que ainda está por vir.

A exposição traz trabalhos com artistas como Alan Adi, Gabi Bresola, Gustavo Caboco, Leila Danziger, Victor Galvão, André Griffo, Andrea Hygino, Randolpho Lamonier, Adriano Machado, No Martins, Virginia de Medeiros, Marta Neves, além do duo Amador and Jr. Segurança Patrimonial, que juntos nos levam a nos questionar qual engajamento desejamos ter com nossa própria memória, individual e coletiva. Sabendo que sua materialidade maleável é aquilo que constrói nossa identidade, pois acessando-a compreendemos de onde viemos, ao trabalhá-la ativamente podemos construir aquilo que pretendemos ser. Por outro lado, ao recuperar e valorizar as práticas tradicionais, podemos fortalecê-las ao longo das gerações, ao mesmo tempo que colocamos em primeiro plano o patrimônio
anônimo, periférico e marginalizado. Sobre ombros de gigantes recorre à criação e elaboração de novas perspectivas, projeções e intenções para o amanhã, a partir de uma cuidadosa compreensão do passado.

A exposição faz parte do Roesler Curatorial Project, sob direção de Luis Pérez-Oramas, reafirma o compromisso da galeria com iniciativas inovadoras e experimentais, estimulando o diálogo entre diferentes agentes do circuito artístico.

Filipe Lippe, Weltwehmut – Às vezes o prazer vem do que se mais teme, 2019

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