Simone Cadinelli Arte Contemporânea – SP Foto Viewing Room

Rafael Adorjan, Desdidática 5, 2018

Simone Cadinelli Arte Contemporânea, galeria sediada em Ipanema, Rio de Janeiro, participa da segunda edição da SP Foto Viewing Room, feira online organizada pela SP-Arte, dedicada a fotos e vídeos, de 23 a 29 de novembro de 2020,disponível no link: https://www.sp-arte.com/viewing-room/projetos/simone- cadinelli-arte-contemporanea-167, e nas demais plataformas digitais da SP – Arte.

Gabriela Noujaim, Aonde fui e não pude estar, 2020

A galeria carioca apresenta fotografias e vídeos realizados a partir de pesquisas e processos diversos por onze artistas: Gabriela Noujaim, Isabela Sá Roriz, Jeane Terra, Jimson Vilela, Leandra Espírito Santo, PV Dias, Rafael Adórjan, Roberta Carvalho, Úrsula Tautz, Virgínia Di Lauro e Vitória Cribb. As obras trazem uma crítica “à reconstrução histórica, à disputa hierárquica social e racial em torno dos algoritmos, ao lugar imaginário e autorreferencial dos artistas”. Os trabalhos abordam ainda a criação da memória, muitas vezes de forma fragmentada e distópica, e a problemática em torno da condição de presença-ausência dos rios nas cidades”, informa a galeria. A fotografia é a principal linguagem técnica das obras selecionadas, e processos variados foram utilizados na construção dessas imagens, como videomapping, Realidade Aumentada, projeção sobre os corpos, intervenção em desenho digital, fotografia performadae transferência de imagem através da monotipia sobre “peles de tinta”.

Na seleção de trabalhos está a obra inédita “Transborda” (2020) de Roberta Carvalho. Paraense de Belém, Roberta mora em São Paulo, onde faz mestrado em artes na UNESP. Nascida em 1980, ela é a criadora do Festival Amazônia Mapping, projeto de arte e tecnologia no espaço urbano, que realiza grandes projeções no centro histórico de Belém, considerado o primeiro festival especificamente de videomapping no país.

Roberta Carvalho, Transborda, 2020 (Fotografia – Projeção de Imagem)

Na fotografia “Transborda” – impressão pigmentada sobre papel algodão, de 90 x 50 cm – vê-se a projeção de imagens de grandes rios da Amazônia nas empenas de prédios em São Paulo. A artista começou a fazer este trabalho durante a quarentena, projetando nos prédios vizinhos a seu apartamentoimagens coletadas por ela na Amazônia. “Belém é uma capital com uma configuração territorial peculiar”, conta Roberta Carvalho. “Apresenta um numeroso conjunto de ilhas como nenhuma outra cidade do Brasil – ao menos 39 ilhas catalogadas oficialmente, correspondendo a 65% da área do município – o que significa viver quase dentro d'água. A água dos rios imensos, a perder de vista, faz parte da paisagem, faz parte do transporte, traz o alimento”. A artista fala sobre sua relação com São Paulo: “Enquanto artista e amazônida, atravessada pelas vivências do território no qual me construí e me construo”, me situo na metrópole que me foi revelando a condição triste a que os rios foram relegados, neste lugar onde os rios estão oprimidos e correndo por dentro dos bueiros do bairro”. Ela destaca que com este trabalho “temos de alguma forma a condição cinemática e imaterial da imagem projetada sobre a arquitetura – tensionando verticalidade e horizontalidade – trazendo os fluxos dos rios, imprimindo na superfície da cidade as águas barrentas, típicas de rios da Amazônia, em constante movimento. Águas que são caminhos, água é vida, nosso corpo é água, água e o inconsciente. Os rios também são fluxos de resistência ao longo da história, buscam formas de transbordamento e de manutenção de sua natureza imparável e irreprimível. Mergulhar no rio é mergulhar na história. É reconhecer-se tal qual, água que somos”, observa Roberta Carvalho.

Jimson Vilela, Sem título (distorção), 2019

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