Sérvulo Esmeraldo | Pinakotheke São Paulo

SÉRVULO ESMERALDO, Cubinhos, 1982 | FOTO: Divulgação Pinakotheke

A Pinakotheke São Paulo, em colaboração com a Galeria Raquel Arnaud, realiza a exposição Sérvulo Esmeraldo (1929-2017): 90 + 2, dentro das comemorações dos 90 anos do artista iniciada na cidade de Fortaleza em 2019. Com curadoria do especialista em arte contemporânea latino-americana Hans-Michael Herzog, a exposição reunirá aproximadamente 90 obras do artista, abrangendo os anos 1950 a 2000, entre maquetes, pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, instalação, e a maior coleção de Excitables exibidos numa única exposição – trabalhos ativados pela eletricidade estática que levam em conta a interação entre o corpo e o objeto.

A mostra obedecerá a uma cronologia, nos conceitos que compõem a sua trajetória de artista. Herzog destaca que o vai-e-vem artístico entre a bidimensionalidade da arte gráfica e do desenho e a tridimensionalidade que abrange e encerra o espaço da plástica escultórica de Sérvulo não é contraditório, mas sim uma consequência inevitável no pensar e agir do artista. “Para ele, a segunda e a terceira dimensões não eram contraditórias, mas grandezas e categorias mutuamente complementares ou até condicionantes, dentro das quais ele se movimentava com agilidade e destreza”.

Em seu texto, o curador indica que o seu interesse não é o aprofundamento nas raízes artísticas brasileiras do artista, nem a relação dele com o neoconcretismo, mas opta inicialmente por inscrever suas obras escultóricas no grande contexto internacional.

Nas palavras de Hans-Michael Herzog, historiador, crítico de arte e o curador desta exposição:

“Sérvulo Esmeraldo faz parte das personalidades artísticas brasileiras absolutamente preeminentes da segunda metade do século 20. O que lhe falta (assim como a tantos de seus colegas brasileiros) é simplesmente o reconhecimento internacional. Eis o que move o desiderato de “colocá-lo no mapa”, à semelhança do que ocorreu também, há nem tanto tempo, com artistas muito festejados como Lygia Clark e Hélio Oiticica. Por fim, grande quantidade de suas obras — as mais importantes — ainda estão disponíveis, melhor dizendo ainda podem ser visitadas in situ.

No início deste século, enquanto percorri toda a América do Sul a fim de escolher obras de arte para a futura coleção Daros Latinamerica, ninguém me chamou a atenção para o trabalho de Sérvulo Esmeraldo. Por que não? Soto, Le Parc, Cruz-Diez e suas galerias dominavam o campo latino-americano da arte contemporânea tornada clássica. O motivo não poderia ser a origem nordestina de Sérvulo; afinal, viajei intensamente todas as regiões do país. Por fim, Mario Cravo Neto e Antonio Dias permaneceram sendo os únicos nomes do nordeste brasileiros que incorporei à coleção.

Creio que o reduzido reconhecimento internacional de Sérvulo Esmeraldo se deva a um curioso fenômeno do mercado de arte especificamente brasileiro: um mercado que opera de maneira bastante hermética e autóctone, com regras próprias e níveis de preço que se mantêm em larga medida estáveis e incontestáveis pelo tempo e espaço. Independentemente das influências do mercado externo e ainda antes da virada do século, uma série de artistas brasileiros de muita qualidade havia se estabelecido no mercado interno brasileiro sem nunca ter estado sob os holofotes internacionais. Sérvulo Esmeraldo foi um deles”.

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