Série inédita Monumentos | SESCTV

Cena da série “Monumentos” | Crédito: Divulgação

O SescTV apresenta a série inédita Monumentos na programação deste mês. Com produção da Ebisu Filmes e Loma Filmes, a série documental dirigida por Paulo Pastorelo foi criada em parceria com a Profa Lucília S. Siqueira (Unifesp). Dividida em 12 episódios, ela aguça a sensibilidade dos espectadores para os dilemas do patrimônio cultural. A série será exibida  a partir do dia 23 de maio, às 20h, e também estará disponível sob demanda no site do canal.

Monumento é aquilo que nos faz lembrar. No mundo em que vivemos há muitas “coisas-monumento” que nos lembram de outras coisas e até nos lembram daquilo que gostaríamos de esquecer. Abordando diferentes tipos de bens culturais em vários lugares do Brasil, os episódios fomentam a reflexão sobre a preservação e as transformações no patrimônio hoje e expõem maneiras específicas de transmitir e de circular conhecimentos, tradições e memórias.

Com mediação do professor José Tavares Correia de Lira (FAU-USP), a live Monumentos: Uma leitura sobre os mais diferentes vestígios do passado, uma parceria entre o “Sesc Ideias” e o “SescTV”, será transmitida no dia 17/5, no canal do YouTube do SescSP. Para falar sobre a proposta da série e dos temas abordados nos episódios, o encontro contará com a participação do diretor Paulo Pastorelo e da Profa Lucília S. Siqueira (Unifesp), coautora da série.

No episódio Monumento, o primeiro da série, discute-se como se criam os monumentos e como o tempo modifica a maneira de olhá-los. Motivo de grandes festejos e acalorados debates no século XIX, a estátua equestre de D. Pedro I, localizada na Praça Tiradentes no Rio de Janeiro, figura hoje silenciada na paisagem urbana da cidade. Partindo desse primeiro monumento público do Brasil,  o episódio explora o contraste com as estátuas que homenageiam Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector e Tom Jobim, situadas na orla sul carioca, que parecem não perder a capacidade de atrair os olhares e os afetos dos passantes.

Em Álbum de Fotografia, memórias são revisitadas a partir de álbuns de fotografias de família, como singelos monumentos da vida privada. Lá estão guardados registros de momentos passados que só o vai e vem da memória é capaz de fazer aparecer.

Na sequência, no episódio Coleção, é apresentado o sentido de uma coleção, vista como uma espécie de monumento do olhar e dos interesses do próprio colecionador, aqui representado na figura Emanoel Araujo, artista plástico e curador do Museu Afro Brasil.

Já a passagem do tempo e seu potencial para atiçar o olhar investigativo em busca da totalidade perdida são mostrados em Ruína, episódio seguinte, que retrata o processo de restauração e preservação das ruínas de Alcântara/MA em contraposição ao Pico do Jaraguá/SP, ruína do tempo geológico.

Com base nos depoimentos de um monge budista e de uma senhora de origem judaica sefardita, o episódio Relíquia trata da relação que indivíduos e grupos estabelecem com as relíquias. Vemos como essas diferentes tradições fazem circular as relíquias entre gerações, tomando-as como objetos de devoção e atribuindo-lhes sentidos e poderes.

Em Restauro, sexto episódio da série, as opções e os limites do restauro são vistos a partir dos resultados alcançados para um convento franciscano colonial em Alagoas e no rosto de um senhor, recuperado com prótese após perder parte da face numa cirurgia de câncer de pele.

A importância das cópias na atualidade é discutida no episódio homônimo, Cópia, no qual o mercado de bens piratas, um cartório lotado de documentos e uma dupla de gêmeos, colocam em suspensão os sentidos que atribuímos para o que é original, autêntico, simulacro e cópia. 

No episódio Patrimônio, o processo de patrimonialização de um bem cultural imaterial é visto a partir da experiência dos índios Wajãpi, do Amapá, cujas expressões gráficas e orais foram registradas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2002.

Em Saber, mostram-se diferentes maneiras de transmissão e aquisição de saberes: de um lado um cirurgião cardiovascular com seus residentes ao longo de uma cirurgia-aula, do outro, um físico que constrói conhecimento em laboratório sob controles metodológicos estritos.

A partir do trabalho de um professor universitário de línguas antigas e da experiência de um imigrante haitiano no aprendizado do português em um Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos de São Paulo, o episódio Língua reflete sobre as línguas como lugares de fronteira, meio para se transitar entre sociedades e culturas. 

Já em Vestígio, as políticas de memória e de apagamentos do evento conhecido como o “Massacre do Carandiru” são tateadas a partir da reunião de vestígios dispersos nos registros oficiais da polícia, nos papéis do patrimônio, nos museus e no espaço urbano do Parque da Juventude.

Por fim, em Mausoléu, último episódio da série, o túmulo monumentalizado do médium Chico Xavier em Uberada/MG, que mobiliza visitantes e acolhe suas variadas manifestações de fé e de afeto, contrasta com a cripta da família imperial em São Paulo, que pede apenas silêncio e reverência.

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