Seminário Práticas Pedagógicas Antirracistas nos Espaços de Educação e Arte | Instituto TeArt

Visita do projeto Enredar. Foto: @Colibriaudiovisual

Como parte de suas ações estruturantes para fortalecer a educação e a cultura no país, o Instituto TeArt idealiza e realiza, no dia 12 de setembro de 2026, no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, o seminário Práticas Pedagógicas Antirracistas nos Espaços de Educação e Arte. O encontro articula as relações entre arte, educação, saberes e práticas pedagógicas para propor diálogos interdisciplinares entre educadores, artistas e instituições culturais e de ensino sobre a educação antirracista.

Com curadoria de Claudinei Roberto da Silva e curadoria adjunta de Auana Diniz, a iniciativa do Instituto TeArt foi concebida para partilhar e debater iniciativas educacionais, artísticas e culturais relacionadas às artes e culturas afro-brasileira, africana e afro-diaspórica, contribuindo para a ampliação de repertórios teóricos e metodológicos de ensino e aprendizagem desses componentes na rede pública.

O evento apresenta uma aula-palestra, mesas de debate, relato de experiências escolares, intervenção artística e painel temático. A programação abrange desde a revisão histórica do protagonismo negro nas artes visuais até o trabalho com metodologias antirracistas na gestão escolar, na mediação cultural e na educação museal.

“Entre nós, aprofundar os processos que assegurem a consolidação da democracia e a promoção de direitos humanos fundamentais é condição básica para a plena inclusão de amplas parcelas da sociedade e exige a construção e a consolidação de práticas pedagógicas antirracistas comprometidas com a diversidade e o pluralismo característicos da nossa sociedade. A atenção constante à formação de educadores, especialmente dos professores da rede pública, é indispensável para atingir esses objetivos. Também é imprescindível considerar a arte como um instrumento inestimável para a promoção de uma leitura crítica da realidade”, afirma o curador Claudinei Roberto da Silva.

Voltado a professores, pesquisadores, educadores e agentes atuantes nas áreas de arte e cultura, o seminário oferece inscrições gratuitas, com 50% das vagas reservadas a docentes da rede pública — reafirmando o compromisso do instituto com a democratização do acesso e a formação contínua de educadores.

A programação terá uma fala de boas-vindas da jornalista e apresentadora Adriana Couto, durante a cerimônia de abertura, seguida pela aula-palestra do curador Claudinei Roberto da Silva, que analisa a trajetória da representação da pessoa negra nas artes visuais brasileiras, traçando um arco histórico que vai da condição de mero sujeito de interesse até a conquista do protagonismo nas narrativas contemporâneas. Na sequência, a contação de histórias ganha centralidade com a intervenção do núcleo Agbalá Conta, com a artista e educadora Giselda Perê, que explora a oralidade como tecnologia ancestral de preservação da memória e de mediação pedagógica.

Já a mesa dedicada ao tema Arte como educação nas práticas antirracistas reúne os artistas Juliana dos Santos e Denis Moreira — que participaram da 36ª Bienal de São Paulo — ao lado da curadora independente Rosa Couto. A partir do acúmulo de experiências dos debatedores, que também atuam no circuito institucional, a conversa aprofunda o potencial transformador das poéticas visuais como disparadoras de decolonialidade. O painel analisa ainda a responsabilidade dos museus e galerias na revisão de seus acervos e na desconstrução de estruturas eurocêntricas que historicamente organizaram o sistema das artes no Brasil.

Dando continuidade à grade temática, a próxima mesa traz o tema Práticas pedagógicas antirracistas nos espaços de educação e arte. A sessão conta com a participação de Claudia Guirao, diretora da EMEI Dona Leopoldina, escola de referência para atuação antirracista com o projeto político-pedagógico Terreiro de Infâncias: cultivando um currículo afro-brasileiro na educação infantil; o educador e sociólogo Sidney Rodrigues Ferrer, que traz sua ampla experiência nos campos da educação não formal e museal, desenvolvida em instituições dedicadas à produção africana e afro-brasileira e projetos em zonas periféricas da cidade de São Paulo; e Raphaellie Laz, educadora do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo.

Os convidados compartilharão relatos de experiência, desafios cotidianos e metodologias praticadas no ambiente escolar e em instituições museais, demonstrando como a educação democrática e a escuta atenta transformam o espaço em um ambiente de combate efetivo ao racismo estrutural.

“Iniciar o projeto Enredar em São Paulo com esse seminário representa um passo fundamental para o Instituto TeArt. A proposta é um desdobramento do curso O negro na história da arte: de objeto a sujeito de interesse, realizado com a Secretaria de Educação do Recife em 2025, e reafirma a importância das práticas antirracistas na escola pública. Além disso, entrecruzar essas perspectivas à produção artística contemporânea, em suas diversas vertentes, está entre os principais focos de trabalho do nosso projeto em conjunto com estudantes, professores e gestores”, reflete a curadora adjunta Auana Diniz.

O seminário integra o Enredar — projeto educativo do Instituto TeArt voltado à rede pública de ensino e pautado na articulação entre arte e território em quatro capitais brasileiras, Brasília, Goiânia, Recife e São Paulo — e busca fortalecer a implementação das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas.

A ação reafirma a visão do instituto de que a formação de professores e o contato com a produção artística afro-diaspórica são pilares indispensáveis para a construção de uma educação plural e emancipatória.

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