Seminário online “Arte e Cultura Popular – O que muda quando a perspectiva racial entra em cena?”| Museu do Pontal

O Museu do Pontal realiza a partir do dia 16 de agosto de 2021, das 18h às 20h, o seminário online “Arte e Cultura Popular – O que muda quando a perspectiva racial entra em cena?”,com coordenação da historiadora Martha Abreu (UFF) e dos antropólogos Vinícius Natal (UFF) e Angela Mascelani, diretora-curadora do Museu do Pontal.

O evento será transmitido via plataforma Zoeplay. As inscrições são gratuitas, e podem ser feitas pelo link https://www.sympla.com.br/seminario-de-arte-e-cultura-popular—o-que-muda-quando-a-perspectiva-racial-entra-em-cena__1308844

O seminário online marca a inauguração da nova sede do Museu do Pontal, na Barra, no próximo dia 2 de outubro de 2021.

Outro objetivo deste debate online é “contribuir para a incorporação das questões raciais nas discussões sobre arte, cultura popular e festas no Brasil”, explica Angela Mascelani. “A reflexão sobre as relações entre arte, cultura popular, cultura negra e decolonialidade no Brasil é fundamental para se atuar na formação continuada de profissionais da cultura, do turismo, dos museus e do ensino”, diz.

Em cada encontro serão exibidos filmes sobre os artistas e imagens das obras que integram o acervo do Museu do Pontal. O seminário visa a articular e aproximar o conhecimento produzido nas universidades, e instituições de pesquisa, dos públicos que atuam em outros campos profissionais envolvidos com as expressões da cultura popular.

QUESTÕES RACIAIS E DECOLONIDADE

O tema do primeiro encontro, em 16 de agosto, é “Cultura popular, questões raciais e decolonialidade”, e além dos coordenadores terá a participação da historiadora Giovana Xavier, professora da UFRJ, criadora do @pretadotora, e autora dos livros “Você Pode Substituir Mulheres Negras Como Objeto de Estudo por Mulheres Negras” e “História Social da Beleza Negra” (Ed. Rosa dos Tempos, Record).

Participarão deste debate, além de Giovana Xavier (historiadora e professora da Faculdade de Educação da UFRJ, Martha Abreu (historiadora e professora do PPGH e do ProfHist da UFF), Vinícius Natal (antropólogo e pesquisador associado do LABHOI/UFF) e a antropóloga Angela Mascelani, diretora-curadora do Museu do Pontal.

Será discutida a “emergência do conceito de cultura popular e seus efeitos na construção de um campo de estudos ligado à ideia de folclore e de um ideário nacional, ao longo dos séculos 19 e 20, que silenciava sobre as relações raciais e o racismo, afirma Martha Abreu. “A partir das críticas à democracia racial e da articulação dos movimentos negros, uma nova pauta educacional e cultural a respeito da cultura afro-brasileira passou a centralizar as discussões. Neste campo, as leis 10.639 e 11.645, que alteraram a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional para incluir a obrigatoriedade das temáticas História e Cultura Afro-Brasileira e História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena, são marcos dessa mudança de perspectiva.  O termo cultura popular ganhou novas configurações, passando a incorporar as lutas antirracistas na sociedade brasileira e o protagonismo dos artistas negros”, explica. As perguntas que vão permear o debate são: “Quais os significados dessa mudança?  Quais as possibilidades de trabalho com cultura popular e cultura negra – e como entender o termo folclore hoje?”.

As obras do acervo do Museu do Pontal que servem de inspiração para este primeiro debate são “Carnaval”, de Adalton Lopes, as máscaras de Bumba-meu-boi de vários artistas do Maranhão, presentes no filme.

próximos temas:

  • História, cultura e patrimônios negros, em 18 de agosto de 2021, com a participação da historiadora Livia Monteiro (Universidade Federal de Alfenas), de Marilda de Souza Francisco, coordenadora da Associação Quilombola de Santa Rita do BracuÍ, Angra dos Reis, e contadora de histórias, da historiadora Martha Abreu (UFF) e do antropólogo Vinicius Natal (UFF). Esta conversa procura refletir sobre como tradicionais expressões culturais afro-brasileiras conseguiram chegar aos dias de hoje, mesmo que perseguidas e marginalizadas ao longo de vários séculos. Entre resistências, negociações e enfrentamentos pela continuidade do legado africano, algumas expressões, como sambas de roda, maracatus, cocos, bois, jongos, samba carioca e congados, mesmo renovadas, receberam no século 21 o título de Patrimônios Culturais do Brasil, pelo Decreto 3.551, que busca proteger os bens culturais de cunho imaterial. Quais os significados e a efetividade desses títulos hoje? Qual a relação desses patrimônios com as lutas históricas antirracistas, por direitos à terra e à visibilidade que os artistas negros tanto buscavam e ainda buscam ver reconhecidos?    Quais são as Áfricas possíveis de se reconstruir no Brasil?As obras do Museu do Pontal que servem de inspiração para este tema são o “Jongo”, “Congada”, “Folia” e “Calango”, de Adalton.

 

  • Festas negras, modernidade e afirmação política, em 4 de outubro de 2021, com a participação das historiadoras Isabel Guillen (UFPE) e Carolina Martins (UFPA), Taliene Melônio (Índia do Boi da Floresta em São Luís do Maranhão) e Samuel Lima (produtor e professor). Dentre todas as expressões da cultura popular brasileira, as festas negras ocupam lugar de destaque. Locais de encontro, criação, identidade e luta política, diversos festejos estão presentes no Museu do Pontal e são registros espetaculares da história do Brasil. Esta conversa apresenta um pouco das lutas políticas dos festeiros negros nos maracatus em Pernambuco, dos bois no Maranhão e do Funk no Rio de Janeiro. Quais os principais marcos dessas histórias? Como essas expressões dialogam com a modernidade? Tradição com Modernidade? Obras inspiradoras do Museu do Pontal: “Maracatus”, de Manoel Caboclo e Heleno Manuel; “Bumba meu boi”, de Manoel Eudócio; e “Roda de boi”, de Nhozim.

 

  • Religiões afro-brasileiras e as lutas contra a intolerância, em 25 de outubro de 2021, com o escritor e historiador Luis Antonio Simas (religiosidade afro-brasileira: candomblé, umbanda e afoxé), e o historiador Anderson Oliveira, da UNIRIO (a história do catolicismo africano e sua força religiosa e cultural). As manifestações religiosas sempre foram as mais sensíveis e as mais difíceis de serem trabalhadas, no âmbito das expressões da cultura popular, exatamente em função das fortes disputas e  intolerâncias no campo religioso.  Esta conversa apresenta aspectos importantes da história das religiões de matriz africana, do catolicismo negro e do cristianismo evangélico no Brasil. Quais as estratégias de luta contra a intolerância e o racismo religioso? Como entender os trânsitos culturais religiosos? Sincretismos ou apropriações? E as religiões evangélicas hoje, que novos caminhos são esses? As obras do Museu do Pontal que inspiram este tema são: “Anjos Negros”, de Zé do Carmo (Goiana, Pernambuco); “Umbanda”, de Antônio de Oliveira; as peças de Mestre Didi; e “São Jorge e o dragão”, de Louco (Bahia).

 

  • Música popular, músicos negros e modernidade, em 29 de novembro de 2021, com a participação dos historiadores Alessandra Tavares (Grupo de Pesquisa Mundos do Trabalho e Pós-abolição e Maurício Barros de Castro (UERJ e Museu Afro-digital). A construção da ideia de uma Música Popular Brasileira é uma das mais poderosas versões do conceito de um Brasil alegre e mestiço. Embora se incorpore a contribuição dos descendentes de africanos nessa história, se costuma atribuir a eles funções racializadas e hierarquizadas, não reconhecendo seu fundamental papel na modernidade artística brasileira. Nesta conversa, será abordado  o papel dos músicos negros  e de suas associações culturais e musicais nas lutas contra o racismo e transformação do campo musical moderno do chamado Atlântico negro.  Qual o sentido de pensar a ideia de uma música negra na música popular brasileira? Ou mesmo nas diversas versões do samba? Obras inspiradoras: “Escola de samba” de Adalton; músicos

 

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