Santidio Pereira | Galeria Estação

Com curadoria de Rodrigo Naves, serão apresentados trabalhos do jovem gravurista Santídio Pereira (SP, 1996). Esta é a primeira exposição individual do garoto que aos 9 anos já brincava de desenhar e pintar. As paredes de madeira da casa precária que divide com a mãe na Favela do 9, na região do Ceasa, ainda têm os seus desenhos. Aos 14 anos começou a gravar sob orientação de Fabrício Lopez e Flávio Castellan, que ensinam no Instituto Acaia, ONG que desenvolve trabalho na região do Ceasa, em São Paulo.
Para o curador, a presença de cores merece destaque na produção de Santídio. “Ele as utiliza produzindo séries em que, com um mesmo desenho, tira gravuras em que varia as cores (sobrepondo ao negro uma ou mais cores), em trabalhos que contam apenas com a presença de cores (sem a presença do negro) ou em gravuras cujas figuras são delineadas em preto, mas recebem manchas de cor que modificam a percepção que temos delas”, explica Naves. Já as xilos em preto e branco, segundo o curador, ainda guardam a lembrança do aprendizado e revelam uma aspereza de que ele sabe tirar partido ao em vez de tentar imitar pequenos detalhes de uma folhagem, ele se aproveita das irregularidades da madeira rachada.
Naves aponta também que, no geral, sobressai na poética do jovem artista a busca de formas em que a alegria troca frequentemente de posição com imagens mais secas, em que cores luminosas se veem turvadas pelos negros. “Espero que esse dualismo consiga se firmar e se fortalecer em suas gravuras, já que é justamente essa experiência híbrida – feita de momentos de leveza e de desolação – que dá o tom da existência contemporânea”, completa.

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