A poeta, artista plástica e paisagista Sandra Ling lança seu livro de estreia, sempre é outra superfície, na nova Livraria da Travessa em Porto Alegre. O lançamento será um dos primeiros grandes eventos literários da nova loja, que marca a chegada da tradicional rede carioca ao Sul do Brasil. O evento contará com uma conversa aberta ao público, em que Sandra dialoga com a professora e ensaísta Maria do Carmo Campos e a pesquisadora em filosofia e crítica de arte Virgínia Aita, ampliando a reflexão sobre poesia, artes visuais e o lugar do livro na cena cultural contemporânea.
Publicado pela editora 7Letras, sempre é outra superfície reúne poemas e desenhos produzidos ao longo de muitos anos, em um processo paciente e artesanal. Os textos são concisos e depurados, apresentados ao lado de imagens delicadas, compondo uma obra que reflete sobre tempo, espaço, gesto e espanto.
A poeta é leitora atenta da poesia oriental, do pensamento filosófico contemporâneo e de autoras como Orides Fontela, Emily Dickinson e Louise Glück. Em sua escrita, transita por estados emocionais e ciclos da natureza, privilegiando a sugestividade do não dito e a contemplação.
A publicação está em sua segunda edição, agora em formato especial e também com texto de orelha assinado pelo crítico e poeta Carlito Azevedo, que ressalta a singularidade da obra: “O olhar de Sandra Ling para o mundo não busca o sentido em metafísicas alturas nem em profundidades duvidosas, mas na superfície, ao rés do chão, nas calçadas da infância, onde brotam as cintilâncias”.
Dividido em três partes – “das primaveras e outonos”, “de todas as águas” e “da seiva bruta” –, o volume traz posfácio do poeta e tradutor Guilherme Gontijo Flores, que destaca o entrelaçamento entre texto e imagem: “Quem se debruçar com a devida calma sobre sempre é outra superfície, logo vai descobrir que aqui a visão da linha vira planta, que por sua vez vira carne, que então vira corpo em pulsação, numa metamorfose contínua que incorpora aqueles que a contemplam para se tornarem agentes mediadores de curiosas ambiguidades deliberadas”.

