ROSE AGUIAR | EIXO Arte Contemporânea

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Disponível no site www.eixoarte.com, a exposição Rose Aguiar e a sobrevivência da imagem, exibe as últimas produções da pesquisa fotográfica de Rose Aguiar, artista visual que vive e trabalha em Friburgo no Rio de Janeiro.

Artista multimídia, Rose utiliza meios diversos de expressão como o desenho, a xilogravura, a aquarela mas é a produção fotográfica mais recente da artista que a EIXO Arte Contemporânea estará exibindo.

Para Vilmar Madruga, curador da mostra, um dos aspectos mais instigantes da fotografia de Rose Aguiar reside numa espécie de apagamento da primeira função da imagem portadora de informação ou registro do real.

Rose realizou exposições individuais e coletivas em diversas cidades brasileiras e no exterior mostrou trabalhos em Nova York, Portugal, Osaka, Paris e Milão. Dirigiu a Oficina Escola de Artes de Nova Friburgo e teve entre seus mestres Ivan Serpa, Lydio Bandeira de Melo e Eduardo Sued.

A exposição poderá ser vista apenas pelo site.

 

TEXTO curatorial:

ROSE AGUIAR E A SOBREVIVÊNCIA DA IMAGEM

Diante do acúmulo de imagens a que o homem moderno passou a ter acesso, ao olharmos para o trabalho de Rose Aguiar, podemos pensar num pós vida ou sobrevivência da imagem como nos ensina Didi-Huberman. Um dos aspectos mais instigantes da fotografia de Rose Aguiar reside nesta espécie de apagamento da primeira função da imagem como documento do real, isto é, algo portador de informação. Em sua gramática própria a fotografia de Rose Aguiar se afasta da ideia fundante da presença do objeto em si e inaugura novas dobras a partir de seu olhar sobre ele. Neste esgarçamento do poder informacional da imagem é que se dá sua pesquisa como podemos ver em sua trajetória e agora mais claramente, nesta exposição. A artista investiga a aparência de elementos distintos da matéria como o sólido, o líquido e o gasoso,  quase como conteúdos simbólicos de subversão da função da imagem como simulacro, registro ou cópia do real. Uma grande escova de lava-jato desliza sobre o para-brisa de um carro. Uma panela de água fervendo, um papel alumínio sobre a chapa de um fogão, as águas agitadas de uma piscina ou as pedras de um rio, são corpos que perdem sua identidade para servir a imagem e contaminá-la com uma nova significação.  Essa corporificação atualizada do objeto vai além de seu reconhecimento imediato e amplia a distância entre a noção primária que temos das coisas e o que nos é revelado sobre elas. Assim, como lembra Leila Danziger, esse desejo de imagem é carregado por um desejo de apagamento, de ruina, de desconstrução da imagem. Só há imagem em perigo.  E o trabalho de Rose Aguiar nos dá notícia dessa expansão perigosa. Provocativa. Extremamente poética.

Vilmar Madruga, 2021

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