Rogério Medeiros | Galeria Estúdio Reverso

07-10.01.2013-D, Colagem com fotografias por pigmentos minerais em papel de algodão de imagens de céu obtidas durante três dias, Rogério Medeiros, 2022, 150 x 110cm

Galeria Estúdio Reverso inaugura a exposição Cada hora faz sua sombra, individual do artista Rogério Medeiros, com curadoria de Catalina Bergues. Sem intenção de se configurar como uma retrospectiva, mas reunindo obras de mais de duas décadas e trabalhos inéditos, a mostra revela como Medeiros tensiona linguagens artísticas e investiga a fotografia não como registro, mas como matéria plástica capaz de gerar novas imagens e sentidos.

Com cerca de trinta obras, a exposição aproxima séries produzidas ao longo da trajetória do artista, criando novos diálogos entre trabalhos realizados em momentos distintos e sublinhando a produção atual de Medeiros.

A mostra busca, acima de tudo, revelar a continuidade presente no trabalho de Medeiros ao longo dos anos. Estão expostas desde as primeiras fotografias produzidas pelo artista, colagens fotográficas e obras que, apesar de ainda usarem a fotografia como núcleo, são marcadas pela desconstrução da linguagem fotográfica ao utilizar apenas a cor ampliada.

Sobre a produção do artista, Catalina Bergues comenta: “Olhando a produção de Medeiros dos últimos 30 anos, é possível notar como aspectos do seu trabalho atual já estavam presentes lá atrás, e é justamente isso que esta nova exposição faz: mescla e reorganiza as séries, criando aproximações a partir de elementos e cores que retornam ao longo de sua trajetória. Rogério começou usando a fotografia para enquadrar o fora. Agora, ao chegar à sua série atual, ele se vale da imagem exterior, para olhar para o dentro.”

A trajetória do artista ajuda a compreender esse deslocamento da fotografia como registro para a fotografia como matéria para um novo tipo de construção visual.

Como ele mesmo diz: “sou fotógrafo desde sempre”. Mas foi só em 2003 que partiu para a produção autoral. Desde então, a natureza tornou-se sua principal fonte de estímulos visuais e estéticos. Na busca pela essência visual das cenas, Medeiros passou a desenvolver uma linguagem abstrata aplicada à fotografia, característica comumente relacionada a seu trabalho. Minhas referências, que antes eram fotógrafos e pintores clássicos, passaram a ser os expressionistas abstratos do pós-guerra, principalmente os da Escola de Nova York”, compartilhou.

Após a publicação de seu livro, “Ritmo e Gesto”, o desenvolvimento do trabalho de Medeiros o levou a adicionar o gesto manual ao processo e passou a produzir colagens que desconstroem paisagens capturadas por meio de uma recombinação livre. O resultado são imagens únicas e imaginárias criadas a partir de registros reais, em uma abordagem que questiona o signo da fotografia e a própria denominação de fotógrafo.

A busca por novos elementos para trabalhar as colagens me levou a fotografar o céu e sua rica paleta de cores. Passei a me interessar por uma simplificação visual, afinal estava lidando com a manifestação e o registro da luz pura e única, conforme hora, latitude e as condições climáticas. Relacionar isso com o tempo e suas implicações para cada indivíduo foi uma sequência natural. Daí surgiram reflexões sobre a influência do tempo e das vivências em questões da psique e dos sentimentos, explica Medeiros.

Na constituição de sua poética, o artista utiliza papeis de algodão, arroz e perolado, para impressões com pigmentos minerais, assim como cartões, placas, cola, fitas adesivas livres de ácido e pasta de papel para modelar superfícies.

Essa investigação visual da luz e cor a partir do céu também orienta a organização espacial da exposição.

Cada hora faz sua sombra se apresenta cromaticamente, com a proposta de seguir do amanhecer ao entardecer e à noite. Começa no branco, passa pelo azul claro, segue para os laranjas e violetas até o azul escuro e, por fim, os pretos.  A primeira sala da exposição recebe o visitante com uma obra branca.Além de ser uma obra dessa fase atual da produção de Rogério, ela representa a grande síntese à qual o trabalho do artista chegou, criando um branco que, somente ao se manter o olhar atento, percebe-se que ele não é homogêneo”, conclui a curadora da exposição.

Ao aproximar séries, materiais e tempos distintos, a exposição evidencia uma investigação contínua sobre a luz, o tempo e a capacidade da fotografia de reinventar suas próprias formas.

Entrada gratuita

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