Rodrigo Pedrosa | Centro Cultural Correios

O artista plástico Rodrigo Pedrosa apresenta, nesta sua nova individual Ruínas: passado/presente, no Centro Cultural Correios, com curadoria de Marcus de Lontra Costa, um conjunto de 21 esculturas em técnica mista, de grandes e médios formatos. São obras figurativas expressionistas, de grande carga dramática e força expressiva, que retratam o momento crítico da humanidade.

Mãos, braços, olhos, rostos, fragmentos de corpos constroem uma colmeia antropomórfica — retalhos e fragmentos de uma humanidade dilacerada. Esse é o território onde atua Rodrigo Pedrosa, essa é a sua figuração fantástica, oferecida ao olhar incrédulo e assustado. Sem temer o medo, assumindo as dores e as chagas do corpo humano, tudo aqui relata histórias de violência e agressão.

Não há tempo para utopias, nem organizações espaciais que aludem ao mundo geometrizado e ordeiro — nostalgias de um tempo passado e de uma humanidade que acreditava ser feliz. Para o artista, o processo criativo é um caldeirão fervente de lendas, mistérios, escombros, matérias sólidas e incandescentes, uma feijoada antropofágica com pitadas generosas de dor, paixão e desejo.

Se na mostra anterior do artista, no MAC Niterói, seus personagens caminhavam em direção ao abismo, hoje eles mergulham no poço profundo do mistério das cavernas. Em meio à queda, subsiste nessas figuras um certo piscar de olhos, algo indecifrável como a esfinge. Ao fim e ao cabo, falamos sempre das mesmas coisas: da vida e da morte, da arte como bálsamo ou veneno, da prisão inexorável do tempo no mundo distópico onde vivemos.

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