Como mais uma das ações públicas do lançamento da 7a Revista<MESA>Plataforma, na sexta, dia 28 de novembro, às 14h, será realizado um bate-papo em torno do falatório de Stella do Patrocínio. O encontro contará com a parceria do Museu Bispo do Rosario, o apoio do Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica (CMAHO) e a colaboração da Liga das Artes e Programa de Pós Graduação em Estudos Contemporâneos das Artes (PPGCA) da UFF. É um desdobramento do evento “Ensaio de escutas: O falatório de Stella do Patrocínio” com Anna Carolina Vicentini Zacharias, Natasha Felix, Sara Ramos e Diana Kolker realizado em parceria com Museu Bispo do Rosario e PPGCA/UFF em 2022 e felizmente publicado na 7ª Revista Mesa.
Mulher negra, carioca, aos 21 anos Stella do Patrocínio caminhava no bairro de Botafogo quando foi, assim como Arthur Bispo do Rosario, detida pela polícia e internada compulsoriamente no antigo manicômio Colônia Juliano Moreira (CJM), onde permaneceu até sua morte, aos 51 anos. O mesmo hospício que Bispo esteve internado e produziu suas obras e onde, depois de seu falecimento, foi inaugurado o Museu Bispo do Rosário. Poucas informações biográficas de Stella existem. Um sobrinho dela conta que vivia agarrada em cadernos, que lia e escrevia muito bem e pretendia conseguir outros empregos e não ficar só nos serviços como doméstica, como a mãe dela. Pessoas que a conheceram falam de sua presença, em especial sua maneira única de se comunicar.
FALATÓRIO
Em 1986, como parte do movimento de humanização das práticas em contextos psiquiátricos, foi realizado na CJM o projeto “Oficina de Livre Criação Artística”, em parceria com a Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV), idealizado pelas psicólogas Denise Correa e Marlene Sá Freire, com a orientação da artista Nelly Gutmacher e a participação dos artistas — na época estudantes da EAV — Carla Guagliardi e Márcio Rolo.
O projeto promoveu oficinas de arte para internas do extinto Núcleo Teixeira Brandão (antigo pavilhão de mulheres internadas). Foi nesse contexto que Stella do Patrocínio, Carla Guagliardi e Nelly Gutmacher, a partir de uma sugestão de Carla, realizaram as conversas gravadas em fita cassete — o impactante falatório, como Stella denominou. Anos depois, novamente a fala de Stella foi gravada em outras fitas (infelizmente perdidas) e transcrita parcialmente pela Mônica Ribeiro de Souza, estagiária de psicologia na época.
Em 2001, após seu falecimento, o falatório assumiu outra forma, um livro de poesia, com o título Stella do Patrocínio: Reino dos bichos e dos animais é o meu nome, organizado por Viviane Mosé. Desde então, as palavras de Stella do Patrocínio tornaram-se publicamente conhecidas, inspirando diversas publicações, produções artísticas e pesquisas acadêmicas.
Participantes:
Anna Carolina Zacharias – Autora de Stella do Patrocínio, ou o retorno de quem sempre esteve aqui (Rio de Janeiro: Telha, 2024). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Teoria e Crítica Literária Brasileiras, atuando principalmente nos seguintes temas: arte, luta antimanicomial, decolonialidade, curadoria em museus, monumentos e arquivos. Atualmente, é doutoranda em Teoria e História Literária na Universidade Estadual de Campinas.
Carolina Rodrigues – É historiadora da arte (EBA/UFRJ), mestre em Artes Visuais pelo PPGAV/UFRJ e pesquisadora integrante do Núcleo de Antropologia, Patrimônio e Artes/CNPq. Atualmente, é curadora geral do Museu Bispo do Rosario e articula questões relacionadas às fronteiras do sistema da arte, relações étnico raciais, territorialidade e gênero.
Diana Kolker – É graduada em história, (PUCRS, 2008), especialista em pedagogia da arte (UFRGS, 2012) e mestre em estudos contemporâneos das artes (UFF, 2018). Responsável pelo projeto político pedagógico do Museu Bispo do Rosario, desde 2017, onde coordena os programas de educação e o Ateliê Gaia. Atuou em projetos educativos, curadorias, formações de artistas e de educadores em colaboração com diversas instituições do país.
Sara Ramos – É doutoranda no PPGLCC da PUC-RIO, editora, tradutora e poeta tocantinense. Mestra em Literatura Comparada (UNILA) e graduada em Comunicação Social/Produção Editorial (ECO/UFRJ), sua dissertação “Stella do Patrocínio: entre a letra e a negra garganta de carne” foi responsável pela disponibilização e acesso públicos dos áudios que registraram o Falatório de Stella do Patrocínio. Atualmente, vive no Rio de Janeiro.
Taísa Vitória – É educadora e artista visual multilinguagem, com enfoque em colagens, e pinturas. É mestranda em Sociologia e Antropologia (PPGSA/UFRJ). É licenciada em Ciências Sociais pela UFRJ. Atua como educadora no Museu Bispo do Rosario. Participou das exposições Regresso ao Sertão (2025) e 100 Anos da Colônia Juliano Moreira (2024), no Museu Bispo do Rosario, Crônicas Cariocas no Museu de Arte do Rio (2021) e Arte como trabalho (2021)

