Rochelle Costi | Oficina Oswald de Andrade

Rochelle Costi apresenta A Terceira Margem, sua primeira exposição no espaço da Oficina Oswald de Andrade, em São Paulo. O projeto traz o resultado de um desdobramento de pesquisa da artista, realizada a partir de viagens pela região amazônica. Ao todo, são três grandes instalações compostas por fotografias impressas em tecido, que nos colocam diante de narrativas de histórias reais, que enaltecem principalmente a resistência dos povos das florestas e, por consequência, as problemáticas de negligência, desconhecimento e descomprometimento com as riquezas culturais e naturais daquela região.

A viagem de A Terceira Margem teve início de barco a partir da pequena cidade de Jordão (à Oeste do Acre), com destino a uma das terras indígenas Huni Kuin, onde encontram-se 36 aldeias, conhecidas pela organização e culto à ancestralidade através da flora, cantos míticos, desenho e, em aulas escolares ministradas tanto na língua nativa quanto em português. Nas fotos que compõe o projeto pode-se ver o registro de obras dos coletivos culturais Mahku e Kayatibu. Paradoxalmente, também no Acre, cruzando a ponte que separa Brasil e Bolívia, encontra-se a Vila Evo, pequeno povoado que tira seu sustento a partir de um comércio voltado quase que exclusivamente a venda de produtos chineses que ali chegam através do Peru e no Peru pelo Oceano Pacífico. A estética indígena se mistura à dos produtos industrializados sem qualquer compromisso ecológico e social, atraindo pelas cores fortes (como as da natureza) e por estampas de animais selvagens.

Cada uma das três instalações é formada por quatro imagens, dispostas de forma a criar espaços de experiências sensoriais e contextuais, não apenas pela poética de sua composição formal, mas ainda por posicionar o público diante da natureza e da realidade dos Huni Kuin, um povo indígena organizado, engajado e politizado, com um profundo domínio dos saberes de sobrevivência. As situações da atualidade no Brasil e as condições a que estão expostos deixam ainda mais evidente a força desse povo em defender a terra, além da debilidade das populações brasileiras em assimilar isso.

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