Retrospectiva online Rossini Perez | Museu Lasar Segal

Em março de 2020, o artista Rossini Perez faleceu, aos 89 anos, de uma infecção pulmonar crônica que o acompanhava desde a infância. Em meio ao início da pandemia de Covid-19 no Brasil, sua despedida foi silenciosa e compartilhada apenas entre familiares e amigos mais próximos.

Um ano depois, o Museu Lasar Segall revela a grandeza e a pluralidade de sua obra, conhecida essencialmente pela gravura, na exposição Arqueologia da Criação: Uma imersão no acervo-ateliê de Rossini Perez. Realizada em formato totalmente online, a retrospectiva poderá ser acessada de 17 de março a 01 de julho de 2021 no www.arqueologiadacriacao.org.

Premiada com o edital de exposições de artes do PROAC (Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo), a mostra é o resultado de um intenso trabalho de pesquisa e de convivência com o artista iniciado em 2017 por Sabrina Moura.

“Eu estava estudando a arte senegalesa dos anos 1970 quando descobri que Rossini ajudou a implantar uma oficina de gravura na Escola Nacional de Belas Artes de Dacar naquela época. Na primeira vez em que visitei seu ateliê, queria conhecer as histórias de sua passagem pelo país africano. Mas ele fez questão de me mostrar as colagens que vinha fazendo. Nos encontros seguintes, apresentou outros trabalhos e materiais que guardava em seu acervo. Quando percebi, já tinha sido pega pela armadilha que é o labirinto da memória e da produção artística de Rossini”, diz a curadora.

Colagens de Rossini ainda são pouco conhecidas

A primeira individual de Rossini Perez a olhar para a totalidade do seu acervo será apresentada como galerias virtuais, por onde o público poderá percorrer, descobrindo as diferentes facetas do artista, com destaque para a colagem e a fotografia, além da gravura. “Decidimos nos apropriar do espaço online propondo percursos imersivos, com áudios, vídeos e imagens, para que o visitante se sinta próximo ao artista, como se estivesse manipulando as gavetas de seu ateliê”, conta Sabrina Moura.

De seu fascínio pelo canto lírico de Bidu Sayão às suas incursões pelos mercados senegaleses e o deserto do Saara, a mostra aborda a atenção do artista ao detalhe das formas, incorporadas com maestria em seus trabalhos.

“A obra de Rossini Perez tem um valor notável para as instituições, que têm buscado rever seus acervos e coleções, pois coloca em xeque a própria ideia de uma modernidade central”, afirma Sabrina Moura. “E, nesse aspecto, sua experiência como professor de gravura é exemplar. Do Rio à Lima, de Dacar ao México, o artista guardava seus registros como um arquivista. Tudo era minuciosamente identificado e ordenado. Essa espécie de ‘febre arquivística’ levanta, aliás, um debate crucial sobre os acervos brasileiros, num momento em que nossos espaços de memória têm sido fragilizados”, diz a curadora.

Consciente do seu legado, Rossini Perez realizou, alguns anos antes de falecer, uma série de doações para diversas instituições, como o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, o Museu de Arte do Rio (MAR) a Pinacoteca do Estado de São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade, entre outros.

A exposição é acompanhada por uma programação gratuita e online, voltada a adultos e crianças. Sob a forma de debates, laboratórios, visitas guiadas e web-séries, as atividades expandem os entendimentos acerca da obra de Rossini Perez, bem como, discutem o valor de acervos pessoais para a arte brasileira.

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