Renato Ranquine | SOMA Galeria

Em menos de um mês após sua reinauguração, a SOMA Galeria recebe a segunda exposição em seu novo espaço. Em “Vende-se Arte”, o artista Renato Ranquine faz uso da linguagem visual do mercado popular para aproximá-la do mercado de arte, em um trabalho provocativo, irônico e crítico, em que a frase “Compre arte” é vista em painéis de led, camisetas com estampas de baixa qualidade, adesivos, banners, entre outros suportes para imagens reprodutíveis.

A exposição acontece no novo endereço da SOMA Galeria, no multiespaço SFco179, localizado na Rua São Francisco, um dos endereços do Centro de Curitiba que passou por um processo de revitalização nos últimos anos, resultando em uma das ruas mais vistosas da capital paranaense.

Contraponto provocativo aos espaços de arte

Renato Ranquine utiliza há alguns anos a estratégia de divulgação de mercados populares para circular a frase “Compre arte”. Além do teor crítico e irônico, é um elemento para gerar uma reflexão no público, que é levado a pensar sobre as relações mais profundas desta associação. Muitas das obras são feitas com materiais de baixo custo, além de terem cores chamativas e um certo excesso visual. Não por ser um elogio à precariedade, mas sim para reproduzir a atmosfera de grandes centros de comércio popular, como a Rua 25 de Março, em São Paulo, ou o Saara (Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega), no Rio de Janeiro.

A ideia é fazer um contraponto à ideia dos espaços assépticos da arte, como observou o crítico de arte Leandro Muniz. “Sabemos que o mercado de arte tem na mistificação de seus produtos uma de suas estratégias centrais. No projeto de Ranquine há uma dissolução dessas hierarquias e vale pensarmos nos motivos pelos quais o mercado de arte se torna um tema em si mesmo, não apenas em sua produção“, afirma Muniz.

Apesar de contar com obras realizadas com materiais acessíveis, a exposição “Vende-se Arte” apresenta um rigor na construção das peças. Este elemento leva o trabalho para além do mero trocadilho, mantendo-o em uma situação ambígua entre a crítica e o fascínio, tanto pelo mercado de arte, quanto pelas formas.

A exposição realiza uma provocação necessária para a cadeia produtiva das artes plásticas, conforme aponta Leandro Muniz. “Ao discutir a dimensão de mercadoria da obra de arte, ou melhor, ao apontar como o mercado de arte é uma dimensão fundamental do funcionamento desse sistema, Renato Ranquine vai contra a suposta transparência e fluidez das relações entre artistas, galeristas e colecionadores e apresenta esse mecanismo em sua opacidade”.

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