Renato Bezerra de Mello | Anita Schwartz Galeria de Arte

Cadernos do Confinamento 2020-21, Renato Bezerra de Mello

Anita Schwartz Galeria de Arte inaugura, no próximo dia 24 de novembro de 2021, às 17h, a exposição “Que nosso nome não caia no esquecimento”, primeira individual de Renato Bezerra de Mello na galeria. A exposição perpassa o fio temporal de 18 anos de produção do artista, com trabalhos que dialogam com sua produção atual. Também integram a mostra trabalhos inéditos feitos durante a pandemia; acompanhando os noticiários e o cenário político brasileiro, Renato traz à tona questões políticas latentes do momento, como a tentativa de remarcação das terras indígenas pelo PL 490, conhecido como projeto de lei do “marco temporal”. Dois destaques são as obras “Não somos um, somos vários”, de 2016 – um mapa do Brasil constituído por cartões de visita com nomes dos povos indígenas que preenchem todo o território do país –, e “Indiozinho”, bordado da série Primeiros Bordados, de 2003. A cor vermelha, presente em toda a trajetória do artista em linhas, pontos, manchas e bordados, representa o sague derramado pela violência estrutural – o genocídio indígena, o racismo, a homofobia, o número de mortes causadas pela pandemia da Covid-19 e o aumento do número de casos de feminicídio perante o confinamento. O título da exposição, citação do livro Limiar, aura e rememoração – ensaios sobre Walter Benjamin, da autora Jeanne Marie Gagnebin, reproduz uma construção frasal típica de uma oração e evoca, ao mesmo tempo, uma palavra de ordem em defesa da memória coletiva. Dessa forma, Renato tensiona lembrança e esquecimento ao repensar o patrimônio histórico brasileiro, explorando a política dos afetos e formas de (auto)conhecimento do projeto de nação, entre fortes afirmações e materiais delicados.

 

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