Realidades Imaginadas | Galeria Arte 57

Nascida como um registro da realidade, a fotografia é hoje uma das protagonistas da arte contemporânea, capaz de criar novas realidades e transformar pessoas comuns em personagens, dialogar com outras formas de expressão, como a pintura e a performance, e recriar-se a cada instante. Um mundo de possibilidades que a Arte 57, de Renato Magalhães Gouvêa Jr., em parceria com a galeria Almeida e Dale, traz ao público, entre 6 e 20 de dezembro e 15 e 31 de janeiro, na mostra Realidades Imaginadas. Com curadoria de Denise Mattar, a mostra traz obras de alguns dos mais importantes fotógrafos da contemporaneidade brasileira e mundial. Reunidos por grupos temáticos, eles revelam as estratégias de aproximação, registro, construção e metamorfose da realidade, adotadas hoje pelos fotógrafos.
Visões do humano
Tendo como tema comum a figura humana, cada um dos artistas desse grupo a enxerga de forma diferenciada: Gustavo Lacerda dilui na luz a monocromia dos albinos, Nan Goldin eterniza o instante do movimento e Marco Lopez cria uma imagem de bela estranheza. Adriana Duque compõe meticulosamente um retrato renascentista incorporando referências atuais e Vik Muniz desconstrói fotografias, para reconstruí-las com a utilização de outros materiais. Miguel Rio Branco realiza um trabalho quase antropológico, apoiado no vigor cromático e no uso da fragmentação da imagem. Pertencem à mesma linhagem as obras de Rodrigo Frota, que transforma a dura realidade fabril numa explosão de cor.
Arquiteturas urbanas
Detendo-se sobre a arquitetura das cidades, Julio Bittencourt e Bob Wolfenson registram a dimensão lírica da degradação. Abelardo Morell superpõe as realidades interna e externa usando para isso a técnica ancestral da fotografia – a câmera obscura. O olhar atento de Claudio Edinger transforma São Paulo na representação de um sonho e Ding Musa faz imagens da cidade que remetem ao pintor francês Claude Monet.
Paisagens
A impermanência e a fugacidade de elementos da natureza, como a água e a neblina, sempre proporcionaram aos fotógrafos a construção de imagens de sonho como as de Caio Reisewitz e Alessandro Gruetzmacher. Na mesma chave Michael Wesely acompanha a efemeridade das flores, do apogeu ao declínio. Massimo Vitalli, do alto de sua torre, também registra a paisagem, mas seu interesse está mesmo na densidade humana, na curiosa peculiaridade das hordas de pessoas, que, quase desesperadamente, procuram se divertir no mar. Betina Samaia constrói as paisagens ideais superpondo camadas digitais, enquanto que Albano Afonso trabalha as imagens sobrepondo interferências físicas.
Performance
No seu início, na década de 1960, a performance tinha na fotografia o registro, o suporte que detinha sua efemeridade. Hoje, essa relação assume novos contornos com a execução de algumas performances diretamente para a câmera, tendo como produto final a fotografia. Como exemplo desse primeiro momento, apresentamos o Parangolé clicado por Hélio Oiticica, e as obras de transição de Hudinilson Jr., registrando seu corpo diretamente na máquina copiadora. Marina Abramovic, Paulo Nazareth e Tony Camargo, com propostas inteiramente diversas, inserem-se nesse grupo.

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