Rauschenberg – O Inferno de Dante

O Centro Cultural Correios apresenta a exposição Robert Rauschenberg – O Inferno de Dante, de 13 de maio até 12 de julho 2015. A mostra apresenta ao público 34 litogravuras produzidas pelo artista texano Robert Rauschenberg que retratam a melancolia vivida por Dante em seu mais famoso poema. Buscando a total interatividade com os visitantes, a exposição possibilitará que o público ouça os 34 cantos de Dante, além de apresentar 34 sacos espalhados pelo Centro Cultural representando fardos, que poderão ser movidos de lugar. A mostra é gratuita, tem curadoria de Claudia Lopes e Simone Ajzental com patrocínio dos Correios.

A exposição Robert Rauschenberg – O Inferno de Dante chega ao Rio de Janeiro para mexer com os sentidos e sensações dos visitantes. Inédita no Brasil, a mostra apresenta 34 litogravuras do artista texano Robert Rauschenberg produzidas com base nos 34 cantos (poemas) que compõem a primeira parte do livro “A Divina Comédia”, do escritor italiano Dante Aligheri, intitulada “O Inferno”. Nesta exposição, o público será levado a questionamentos sobre o comportamento social e será instigado a perceber os diversos sentimentos presentes em seus conflitos individuais. Na série produzida por Rauschenberg, o Inferno permeia um estado de espírito, como numa rede que une conquistas à passagem do tempo, ao controle e à liberdade. O Inferno não é perceptível, nem palpável, porém é tangível. Têm dicotomia concomitante de condenar e libertar.

A mostra torna-se muito singular, pois busca despertar no público seu inferno particular. Para isto, a interatividade torna-se a palavra de ordem: são 34 sacos espalhados pelo Centro Cultural que representam fardos. Dentro deles haverá materiais com pesos, medidas, volumes e sons diversificados. Estes sacos poderão ser arrastados, carregados e largados por qualquer lugar da sala expositiva. Além disso, os cantos que inspiraram as obras de Rauschenberg poderão ser ouvidos pelos visitantes através de uma estrutura montada especialmente para este fim. Esta ação visa à inclusão de não videntes na exposição. Foi pensando também na inclusão cultural que as obras presentes na mostra foram dispostas na altura ideal para que cadeirantes e crianças possam apreciar toda a exposição sem dificuldades.

Sobre o Artista:

Rauschenberg se destaca pela possibilidade de ampliar as discussões relativas aos movimentos urbanos. Desafiou a ideia tradicional de um artista a trabalhar num só meio ou num só estilo. Pintor, escultor, gravador, fotógrafo e design, Robert atuou como uma ponte importante entre o Expressionismo abstrato e a Pop Art.

Robert é considerado um dos artistas de vanguarda da década de 1950, quando deu início à chamada painting 3 (criação de uma pintura composta por massa pigmentaria, incluindo elementos como garrafas de Coca Cola , embalagens de produtos industrializados e pássaros empalhados). Estes trabalhos foram precursores da Pop Art. Artista de muitas facetas e um dos mais reconhecidos do nosso tempo desafiou gerações sucessivas de novos públicos ao longo do último meio século.

Foi homenageado em importantes momentos de consagração mundial: da atribuição do Leão de Ouro na Bienal de Veneza à importante exposição que preuniu suas “combine paintitngs” em museus como Metropolitan Museu mor Art (NY), Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles, o Centro Georges Pompidou (Paris) e o Moderna Musset (Estocolmo).

Um dos pioneiros em pelo menos três procedimentos definidores da arte pop: o uso do dia a dia como matéria-prima, a referência a imagens produzidas em larga escala pela indústria cultural e a incorporação da palavra ao repertório das artes plásticas. Rauschenberg fez também pinturas, fotografias e performances, sem necessariamente respeitar as fronteiras entre cada uma das técnicas. Seguiu, de maneira bastante pessoal, os ensinamentos de um antecessor ilustre. “Ele é tão importante para a arte contemporânea por ter levado às últimas consequências as experimentações de Marcel Duchamp (1887-1968), o precursor do dadaísmo”, diz o crítico e curador Nelson Aguilar. “Duchamp era um fidalgo, tinha certo ar aristocrático. Rauschenberg, não. Era do povo e, por isso, conseguiu dar ao lixo o status de arte”, completa Aguilar – que, em 1994, organizou uma sala para o artista pop, durante a 22ª Bienal de São Paulo.

Nelson se refere ao fato de o texano tomar como matéria-prima materiais descartados pela sociedade, incluindo embalagens de produtos e pneus velhos. “De certa forma, Rauschenberg torna viável o que Duchamp elaborou. John Cage, Merce Cunningham e Jasper Johns viraram outros artistas depois que o conheceram.”

Criador de vanguarda, Rauschenberg foi um dos primeiros a explorar a ideia de que arte e vida não deveriam andar tão separadas. Rauschenberg acreditava que a pintura se relaciona com a vida, e, que a “arte pode mudar o mundo.”.

Compartilhar: